domingo, 4 de dezembro de 2016

Insatisfações em faniquito

Faniquitos de menopausa precoce
Há algum tempo temos escrito que o Ministério Público anda confundindo sua função institucional de órgão imaginando-se poder. As ameaças de meia dúzia de procuradores – sem entrarmos no mérito da questão em si (sob análise adiante) – demonstra a irresponsável postura dos que pedem autoritarismo para legitimidade de seus atos e esquecem de vivenciar, como exemplo, os mais comezinhos princípios recomendados pela Ética. Dentre eles, o de respeitar os Poderes da República.

Começam por confundir a competência institucional para legislar. Atacar uma decisão legislativa bem demonstra a qualidade dos princípios que norteiam ditos procuradores. Ao pedir uma ‘legislação’ própria para sua atuação, os senhores da Lava Jato se esquecem de que tudo o conseguido por eles o foi sustentado na legislação em vigor, o que demonstrar ser ela suficiente para atender investigações e punições.

Os senhores procuradores exercitando pressão sobre o Legislativo esquecem de dizer que suas proposições – travestidas de apoio popular – mais próximas estão da proposta de Bush depois do ataque às Torres Gêmeas (tido, hoje, como armação do próprio) – ou seja, suprimir direitos e garantias individuais ao sabor do carrasco de plantão e ao seu alvitre e escolha.

A propósito, observa, preciso, Wanderly Guilherme dos Santos no Conversa Afiada: "Está sendo votada a adaptação local do Ato Patriota (ou Patriótico) dos Estados Unidos, que garantiu ao complexo judicial-investigativo norte-americano a autoridade e autonomia para suspender a vigência de qualquer um dos direitos civis e políticos dos cidadãos, abrigados em artigos constitucionais centenários. O monstrengo entrega aos beneficiários a legitimidade de decidir quando convém aplica-lo ou de fazer cessar seus efeitos. A proposta dos procuradores contra a corrupção, sitiando ostensiva e pessoalmente um Legislativo desmoralizado, contém a legalização de assalto ao poder similar ao Ato Patriota, extraído, lá, com a chantagem propiciada pela derrubada das Torres Gêmeas."

Não é função democrática atinente a este ou aquele órgão pressionar um Poder da República. Muito menos chantageá-lo.

A não ser por via da disputa política interna. Para tanto, basta qualquer dos senhores insatisfeitos ocupar uma vaga no debate. Através de eleições. 

Melhor que viver esse estágio de transe, como bem observa em artigo o promotor de Justiça do Paraná Fuad Faraj: “Com arroubos próprios de primas-donas descompensadas, sem qualquer razoabilidade, 'ameaçaram' renunciar caso o projeto legislativo seja sancionado pelo Presidente. Um motim praticado por altos servidores públicos, integrantes de uma Carreira de Estado, que estão no topo da pirâmide da remuneração estatal. Este disparate dos Procuradores da República, junto com todo conjunto da obra, é algo inominável.”

Com sobejas razões o articulista. Afinal, “Pelo nível do discurso, deve-se entender que são uns incendiários da República que propalam proteger. Seu discurso toca as almas daqueles embebidos de ódio e rancor, em busca da destruição de um inimigo, qualquer inimigo, que possa dar vazão, como num transe, aos seus sentimentos mais violentos e lhes sirva de catarse”.

Para não clamar por Freud entendamos que a turma vive estágio de faniquitos de quem muito cedo chegou à menopausa.

Código de Acusação
A análise do juiz Marcelo Semer no Justificando alcança outro viés do caráter das proposições do Ministério Público: a formulação de um típico “Código de Acusação” – nem mesmo cabe “da Acusação” – tamanha a parcialidade da pretensão: “Criando tipos, aumentando penas e expandindo a competência do Ministério Púbico; admitindo provas ilícitas, destroçando o sistema recursal e o Habeas Corpus; aumentando hipóteses de prisão e diminuindo as de nulidade e prescrição. Carimbando, enfim, uma suspeição sobre a atividade da defesa e amputando poderes do juiz.”

Encurralando
O que denominam de ‘diplomacia’ de um país que tem José Serra como Chanceler acaba de acuar a Venezuela para corresponder aos interesses do golpismo de lá, para que caia no colo dos Estados Unidos. Como caíram Brasil, Paraguai e Argentina.

A unidade sul-americana fazendo água.

Tio Sam gargalha.

A desculpa 
Qualquer aprendiz de Direito sabe que a representação do Estado (em nível federal, estadual ou municipal) cabe ao Poder Executivo através daquele que para ocupar o cargo foi eleito. A delegação de poderes decorre dele e de mais ninguém.

As tratativas – que não são de agora – entre agentes da magistratura e do ministério público federal e procuradores estabelecendo, diretamente, apoios com órgãos de estado estrangeiros (dos Estados Unidos) mostra a quantas chegamos em nível de desmoralização. Não temos Governo.

Sabemos – e o dizem denúncias oriundas de fora, Weakleeks, Snowden, etc.– que o juiz Sérgio Moro recebe informações de órgãos dos EUA (alimentaram a Lava Jato, inclusive) tanto que já denominado de “agente judicial” daquele país.

Transitando entre a desmoralização, o entreguismo e a subserviência colonialista escancarados os que dizem combater a corrupção esfacelaram nosso futuro.

Sem combatê-la. Que o diga o governo golpista. Onde a cena mais recente da tragédia se chamou Geddel Vieira Lima.

Àqueles resta-lhes o honroso título de quinta coluna.

Em defesa dos privilégios
Mobilização de gente do povo (estudantes, trabalhadores etc.) contra os ataques às conquistas históricas são combatidas com pimenta e porrada.

Por sua vez juízes e promotores protestam em defesa dos privilégios. Como fizeram junto ao STF.

Protegidos, naturalmente. 

Ainda que em defesa de imoralidades às quais deviam combater. Como os super salários.

A hecatombe
Enquanto o Nordeste vive a pior seca em um século o governo do interino tornado permanente fechou 1,1 milhão de assistidos pelo Bolsa Família, no país onde o contingente de desempregados ultrapassa os 12 milhões em números oficiais e supera os 20 na realidade para os observadores.

Toda e qualquer localidade está vivendo a ponta de um iceberg (começando apenas), onde muitos municípios já atrasam o pagamento dos servidores. 

Restaurantes populares começam a ser fechados, Minha Casa, Minha Vida reduzido em bilhões de reais, Farmácia Popular à deriva etc. etc.

O caos – causado por desdobramentos, desnecessários, da Lava Jato, como inviabilizar a atuação de empresas que geram emprego, renda e impostos ao país – não mais está no horizonte. Ocupa a passos largos todo o território e o povo brasileiro. 

Fuga planejada
Leandro Fortes não mede palavras: "O juiz Sérgio Moro está fugindo". Bessinha, no CAf, percebera as razões e lhe assegurou passagem e transporte.


Debate
Estiveram debatendo no Senado, em torno do Projeto de Lei 280/2016  que define os crimes de abuso de autoridade  o ministro Gilmar Mendes e o juiz Sérgio Moro. Os vídeos falam mais que quaisquer palavras.

Comparando as falas de um e outro chegamos à conclusão do quão medíocre jurídico-intelectualmente o é Sérgio Moro.

Não para a Globo, naturalmente. Enquanto for útil. Como já o foram Heloísa Helena, em 2006, Marina Silva, em 2010, Joaquim Barbosa, em igual período e ele.... ele... ele... Sérgio Moro, no presente instante.

                       


O substitutivo Requião
O senador Roberto Requião já apresentou substitutivo ao PL 280/2016, disponível através do GGN, na íntegra.

Afastados alguns senões, aqui vistos como decorrentes da redação  o que pode levar à dubiedades hermenêuticas  enfrentado está o problema.

A redação da lei deve ser clara, sem deixar vazios a interpretações várias. Sob esse aspecto a Lei Complementar 95, de 26 de fevereiro de 1998, faz observar em seu art. 11 e incisos em torno da redação com "clareza, precisão e ordem lógica".

Salvo melhor juízo, temos que o posto no Parágrafo Único (grifado abaixo) deixa espaço a subjetivismos.

"Parágrafo único. Não constitui crime de abuso de autoridade o ato amparado em interpretação ou jurisprudência divergentes, ainda que minoritária, mas atual, bem assim o ato praticado de acordo com avaliação aceitável e razoável de fatos e circunstâncias determinantes, desde que, em qualquer caso, não contrarie a literalidade da lei, nem tenha sido praticado com abuso de autoridade."


domingo, 27 de novembro de 2016

De Fidel a Francisco

A morte de Fidel I
Uma das três maiores expressões mundiais do século XX, ao lado de Mao Tse Tung e Lênin, dentre os revolucionários. A circunstância de haver implantado uma ditadura para assegurar o futuro da revolução cubana não o exime do hercúleo trabalho desenvolvido em favor de seu povo, fustigado pelos Estados Unidos, que de imediato impôs à ilha um embargo econômico que durou meio século.

O mundo assim o reconhece. Até mesmo Barack Obama, o presidente do país que acossou Cuba durante décadas: "A história vai registrar e julgar o enorme impacto desta figura singular sobre as pessoas e o mundo ao redor dele”.

A oposição a Fidel – aboletada em Miami, de onde sempre cuidou de destituí-lo – tem suas razões, particulares – para não gostar do líder cubano. Afinal, foi ele quem a afastou da ilha, onde vivia de explorar o semelhante e fazer de Cuba um cassino e um puteiro. (Coppola e Mario Puzo, no roteiro de o Poderoso Chefão, Parte III, põem a nu aquele instante).

A morte de Fidel II
O mundo registrou a morte de Fidel Castro nos limites do que ele representa para a História contemporânea. Não é o caso da terra brasilis, onde a informação há muito deixou de existir, substituída pelo panfletarismo e lugar comum que alimentam o ressentimento como razão de ser.

Para entender o que representa Fidel para a História, alguns registros da imprensa no mundo, como observado por Fernando Brito:

BBC: “Ex-presidente cubano morre.”
The Telegraph: “Ícone revolucionário cubano morre.”
The Independent: “Líder revolucionário cubano morre.”
Reuters: “Líder da Revolução Cubana morre.”
The Guardian: “Líder revolucionário cubano morre.”
Die Zeit: “Líder revolucionário cubano morre.”
Le Figaro: “Pai da Revolução cubana morre.”
Time Magazine: “Ex-presidente cubano morre.”
Deutsche Welle: ” Morre herói cubano.”

E conclua com as manchetes sobre Fidel de duas expressões singularmente distintas: para o NYT (supra sumo do editorialismo) “Fidel Castro, líder cubano que desafiou os EUA, morre aos 90”; da Folha: “Ditador cubano Fidel Castro morre aos 90”, destacando a festa dos adversários em Miami.


Obscurantismo
A canção Roda Viva, de Chico Buarque, capítulo da realidade brasileira às vésperas do golpe dentro do golpe de 1968, marcava – há décadas – a abertura do programa do mesmo nome naquela TV que já foi Cultura.

Mudaram o tema de abertura, mas não devolveram o título a Chico.

Chico Buarque notificou a TV Cultura para retirar sua música do programa em 48 horas. Utilizando-se do disposto no art. 24, IV, da Lei 9.610/98, dentro do princípio do direito moral de integridade, como “o de assegurar a integridade da obra, opondo-se a quaisquer modificações ou à prática de atos que, de qualquer forma, possam prejudicá-la ou atingi-lo, como autor, em sua reputação ou honra”.

No mais, aplicar ao programa e aos demais meios de comunicação o reconhecimento do que se tornaram, nas palavras de Joseph Pulitzer"Com o tempo, uma imprensa cínica, mercenária, demagógica e corrupta formará um público tão vil como ela mesma". 

Francisco
O Papa renova esperanças. Pelo menos em assumir posições. Instituiu como Dia da Misericórdia o XXXIII domingo do Tempo Comum na liturgia da Igreja, abrindo campo a que a miséria seja vista com olhos não de comiseração mas de discussão do porquê existe.

Razão tem Sua Santidade de haver cancelado sua visita ao Brasil, programada para 2017.

E nos vem à mente Don Hélder Câmara:

Quando dou comida aos pobres, me chamam de santo. Quando pergunto porque eles são pobres, chamam-me de comunista.... Frase de Dom Hélder Câmara.

A dupla de anões
Não há como o interino tornado permanente afastar sua participação no caso do prédio de Geddel na Barra. O depoimento do ex-Ministro da Cultura é conclusivo AQUI, a partir do Conversa Afiada. 

Ficamos na dúvida em relacionar um e outro no conceito de “anões’. 

Geddel já o fora, no famoso escândalo no início dos anos 90, aquele capitaneado por João Alves; o interino tornado presidente tornou-se um – de estatura ainda menor – depois de compactuar com o anão clássico.

“A política tem dessas coisas” – disse-o tentando amaciar Calero.

Jânio
Muitos sabem o que representa em termos de moralidade Geddel Vieira Lima.

Jânio de Freitas foi no gurgumim (aqui disponibilizado através do Conversa Afiada). E o aliou ao interino tornado permanente. 

Não esquecendo de lembrar que Geddel foi um dos ‘anões do orçamento’.

Parlamentarismo à vista
Nenhuma referência a Lula como partícipe no esquema apurado pela Lava Jato. Todas as testemunhas de acusação – escolhidas a dedo entre os beneficiados com a delação premiada – de Barusco a Youssef, passando por Cerveró, Paulo Roberto Costa e Pedro Correa – desconhecem qualquer participação ou interferência do ex-presidente no esquema.

Para entendermos o que ocorre nos porões da república de Curitiba – e a sanha por delações premiadas para fins seletivamemte específicos – Pedro Correa disse “que, quando se apresentou ao MPF-PR (Ministério Público Federal no Paraná) para depor contra o ex-presidente Lula, estava agindo dentro do processo de busca de vantagem por meio de uma delação premiada que reduzisse suas penas.”

Quem inocenta Lula são as testemunhas agendadas pela Acusação.

Não haverá jeito. A não ser implantar o parlamentarismo.

Começaram
As absolvições em relação a condenados por Moro na Lava Jato começam a sair. As últimas, pela 8ª Turma do TRF4, que por unanimidade inocentaram Mateus Coutinho de Sá e Fernando Andrade, da OAS, por falta de provas. 

Coutinho cumpria há cinco meses da condenação de Moro a 11 anos por corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Fernando Augusto Stremel Andrade, condenado a 4 anos por lavagem de dinheiro. 

Como não havia prova dos crimes – segundo o Tribunal – fica a certeza de que o juiz Sérgio Moro os condenou por ‘convicção’.

República dos delatores
A delação como negócio está em vias de ser implantada no Brasil, trazendo o “terror institucional”, o que não promoveu nem a ditadura civil/militar.

O caro leitor talvez não se assuste com a leitura que ora disponibilizamos, de Roberto Tardelli, no Justificando

Mas não custa observá-la comparativamente com o que disse Pedro Corrêa, acima. 

Para quê?
Um Procurador da República  o Dellagnol, da Lava Jato  no exercício de pressão sobre parlamentares, tem marqueteiro cuidando de sua imagem.

Curiosamente, o mesmo que cuida do governo tucano de Beto Richa.

Afastada a imoralidade de um servidor fazer-se valer de empresa de marketing para auxiliá-lo no culto à imagem pessoal no exercício de função pública, quem paga a conta?

Como não é personagem (ainda) de Cervantes e não sai em louca desabalada pela madrugada para nada, para quê?

O Cavalo de Tróia de Cirino
A conexão da Lava Jato e dos meios de Comunicação (em conluio) constituem novo cenário da luta classes brasileira. Afirma-o Juarez Cirino dos Santos

Neymar ameaçado
O Ministério Público espanhol pediu a condenação de Neymar  à prisão. Léo Villanova registrou.


Não custava tentar
O ex-subprocurador-geral da República Wagner Gonçalves registrou em texto publicado no Conversa Afiada: “Eu creio na juventude, como todos os membros do meu Governo, porque se não acreditássemos nela, teríamos de declarar a falência da Nação. Nós queremos governar com a juventude para a juventude, porque estamos no fim de nossas carreiras.”

Não, caro leitor, o dito acima não é de Wagner, mas por ele citado, de fala do Costa e Silva.

Que o interino tornado permanente poderia avocar, já que dirige uma ditadura branca e põe em prática métodos de triste memória.

A quantas estamos 
Sem pejo algum de alguns entenderem que defendemos ‘criminosos’ registramos apenas o absurdo a que estamos chegando: juiz desconhece informações médicas, duvida delas e põe em risco a vida de alguém a quem persegue. 

Para gáudio da turba ignara, que vive sua oportunidade de Coliseu, capitaneada pela Globo.

Fato concreto: o affair Garotinho.

Quadro negro
O que pinta Tereza Cruvinel em texto reproduzido no Conversa Afiada é o epitáfio do governo interino tornado permanente. Falta delimitar a profundidade da cova. 

A tragédia montada conseguiu a proeza de escancarar-se em seis meses. A ‘fome’ para corresponder ao prometido (para os de fora, estrangeiros) como meio de angariar apoios (também lá fora) lançou o país no fosso profundo. 

Que o digam os jovens, em número de 37%, que perderam o emprego nestes meses apocalípticos. 

Dados do IBGE: São Paulo já acumula 25% do desemprego nacional, daqueles 12 milhões de desocupados (pelo Caged), porque aliando-se a eles os subutilizados os números alcançam os 23 milhões, mais de 10% da população brasileira total (levando em conta de mamânu a caducânu).

O papa Francisco fala em Misericórdia. O governo a isso faz-se de surdo, tornando-se agente da Morte.

Antes do desastre
Ainda que na esteira da crise internacional, dados do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) para o Brasil mostram, em todas as dimensões da análise (educação, renda e longevidade) crescimento no período 2011-2014, sob a ótica do Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM).

O estudo deixa entrever a força dos programas sociais como alavanca dos avanços: O leve avanço do IDHM no início da década de 2010 pode estar relacionado com a natureza dos dados considerados, que propositadamente têm sensibilidade diferente ao desempenho da economia, e com a rede de proteção social existente no país. Dessa forma, a população brasileira não sofreu grandes impactos no período devido à robustez dos programas sociais, que ofereceram apoio em dimensões básicas da vida humana, como saúde, educação e renda”. 

Confirmando
A cooperação lesa-pátria de Sérgio Moro, Procuradores (inclusive a Procuradoria-Geral da República) e Lava Jato vai se escancarando. Mostrando a que veio. 

Aí a resposta do porquê quebram as empresas para combater a ‘corrupção’.

Dizem-no Moniz Bandeira e Pepe Escobar. Redobrando a atenção para o que diz Escobar sobre Moro e a Lava Jato. E muito mais: a partir dos 30min do vídeo, quando destaca a "agenda do golpe" a médio e longo prazos, da "guerra híbrida" no formato em que posta no Brasil, onde "desenvolveram um sistema ainda mais sofisticado" como um "golpe lento e a longo prazo", contando apenas com as instituições locais, sem outras formas de intervenção interna além daquelas já postas, porque sustentadas na "manipulação monstruosa da mídia", "na manipulação política", "manipulação financeira", "Tudo isso alinhado com o sistema judiciário". E confirma: "O Brasil é a primeira cobaia dessa nova experimentação".

                   

domingo, 20 de novembro de 2016

O crime compensa

Golpe, sim
Que o golpe – que hoje já nos custa o futuro de gerações – nasceu nos Estados Unidos nenhuma dúvida há. Que agentes internos (brasileiros) estiveram a serviço nem mesmo apresenta relevância, tamanha a desfaçatez de suas ações. De José Serra – que já havia prometido o pré-sal a Chevron, em 2010 – a Sérgio Moro (denunciado como agente judicial a serviço dos EUA) – que se utiliza da corrupção, como lugar comum e de fácil introjeção no imaginário popular, para quebrar empresas e causar um baque sem precedentes na economia, meio eficaz de facilitar a entrega do patrimônio nacional na bacia das almas. 

Nem um, nem outro está só. Regimento reforçado os apoia. De congressistas a procuradores, juízes, desembargadores e ministros do STF fazem-lhes a corte, sonham com uma passagem para Orlando ou a Disney, onde não lhes faltará tapete vermelho. E nem se fale do governo que assumiu, pleno de serviçais nos mais diferentes espaços.

Oliver Stone esteve recentemente no Brasil para lançar o seu “Snowden” (que aqui se chamará “Snowden: traidor ou herói”). 

Não poupou críticas aos EUA como agente de intervenções mundo afora, incluindo o Brasil.

No filme a ilustração das denúncias, como tudo ocorre.


Tô nem aí
Que se quebre o país. Para quem ganha o que ganha desemprego de pais de família nada representa. E não está só o juiz Sérgio Moro em nível de remuneração. Aqui os últimos valores percebidos por Moro e Dellagnol, onde a regra é a ultrapassagem do teto estabelecido constitucionalmente.

Contracheque.jpgO presidente do Senado, Renan Calheiros, abriu baterias para descobrir os super salários.

Que certamente alcançará os contracheques de promotores e procuradores de Minas Gerais, que somente em auxílio-moradia estão a perceber retroativamente – corrigido pelo INPC e juros – desde 1994 valores que baqueiam o estado em 1 bilhão de reais. A sinecura, de R$ 4.377,00 mensais é um tapa na cara do brasileiro comum.

“Promotores e procuradores têm salários que variam entre R$ 26,1 mil e R$ 30,4 mil. Além do salário, têm direito a auxílio-saúde mensal, no valor de 10% da remuneração, e auxílio-alimentação, de R$ 751,96” – registra o Jornal GGN.

Tudo amparado em decisão do STF que acolheu pretensão à retroatividade em ação de magistrados que a pretendiam em pé de igualdade com parlamentares, que a ele tinham direito desde 1994.

O Rio de Janeiro começou a farra, hoje estendidas a muitos outros estados.

Gilmar Mendes disse, dias desses, que o Bolsa Família era uma disfarçada compra de votos institucionalizada. 

Sua Excelência não deixa de ter razão: ajuda a pobre retira dinheiro de tão magníficas figuras desta República.

E depois dizem que não temos um país de castas!

O republicano Geddel
Alguns ministros do governo interino tornado permanente foram destronados por denúncias de corrupção. Um outro, por não ser corrompível, tampouco aceitar pressões. 

O que acaba de sair o fez para não se sujar em meio às pressões de Geddel Vieira Lima, que pretende liberação federal para um prédio de 30 andares a ser construído na Barra, em Salvador, onde – diz Geddel – comprou o trigésimo andar e a análise técnica limita-o a 13.

O registro, ou melhor, o roteiro/diário das pressões geddelinas foram denunciadas pelo ex-Ministro da Cultura, Marcelo Calero, em entrevista a Folha de São Paulo.


O republicano Geddel continua ministro. Afinal, quem destoava do modus operandi era o que saiu.

                   

Apenas 200 milhões
O crime compensa. Decididamente. Que o digam os senhores delatores – ladrões reconhecidos – gozando a fortuna em suas mansões e com fortuna assegurada em acordos.

Com direito à mídia os senhores da Lava Jato alardeiam o repasse de 200 milhões de reais do dinheiro roubado da Petrobras à estatal.

Isso mesmo, caro leitor, roubaram bilhões da empresa e ela – a vítima – recebe a merreca acima.

Quebraram a empresa e o Brasil e fazem festa para R$ 200 milhões.

Os olhos da conveniência
No embalo midiático os que sonham com métodos típicos de ditadura – entre eles alguns promotores e procuradores – buscaram legitimar junto à população uma proposta de combate à corrupção. Montaram barracas em pontos estratégicos do país e anunciaram-se anjos anunciadores do Messias. Tal proposta chegou ao Congresso e por lá tramita.

Eles_Tinham.jpgUma emenda propôs – mais que justo, em razão do princípio da igualdade de todos perante a lei – que juízes e promotores pudessem ser submetidos a julgamento em razão da prática de crimes de responsabilidade. Gente da Lava Jato (Dellaggnol) chiou e fez pressão sobre o relator na Câmara Federal para retirada da emenda.

Paulo Moreira Leite elenca uma série de fatos acontecidos (aqui reproduzido a partir do Conversa Afiada, de onde extraímos a montagem). 

Não lembrou de incluir o mistério do helicóptero com meia tonelada de pasta de cocaína pura. 



Fichinha
Alckmin teria sido alimentado, em nível de caixa 2, com R$ 2 milhões da Odebrecht.

Fichinha em relação aos 23 milhões depositados pela empresa para José Serra no exterior.

Mesuras
O juiz Sérgio Moro não acunhou a mulher de Eduardo Cunha, que se recusou a responder perguntas suas. Entendeu estar ela no limite de sua defesa. 

O que não ocorreu com Marcelo Odebrecht, a quem – ainda que apresentada a defesa por escrito – insistiu (e disponibilizou o MP a fazê-lo) perguntas e mais perguntas.

Coisas do Moro. No caso da mulher de Cunha “não vem ao caso”.


O que dá não ser do PSDB
⁠⁠⁠Dallagnol tem<BR>marqueteiro tucanoGarotinho e Sérgio Cabral presos. Nenhuma restrição cabe em suas defesas. No entanto, no mesmo país que prende uns outros deixa soltos. Mesmo que trafique meia tonelada de pasta de cocaína, desvie milhões do Estado de Minas Gerais, receba propina de Furnas etc. etc.

Para não enveredar por metrô e trens de São Paulo.

Já Youssef – depois de cumprida a missão – acaba de ser beneficiado por Sérgio Moro. Está solto.


Muito apropriado
No Congresso desejam proibir as transmissões das sessões de tribunais. 

Muito a propósito descobriu-se que Suas Excelências – algumas delas muito mais que outras – mais estão para boteco de ponta de rua discutindo futebol de várzea.


Invalidez mental
Assim se refere Nassif à proposição de Meireles em relação à aposentadoria por invalidez. 

Sua Excelência vê – sempre no lombo do pobre – a aposentadoria especial como uma espécie de fraude.

A coisa beira o hilário, aventada a hipótese de que alguém corte um braço para se aposentar mais cedo, como ilustra Nassif


O hábito do cachimbo
Quando a figura é medíocre aparecer em algum espaço jornalístico decorre ou do cargo que exerce ou do quanto paga (direta ou indiretamente) para ali estar.

É o caso do interino tornado permanente. Que agradeceu, ao vivo, ao Roda Viva tê-lo levado para uma amena entrevista. “Eu cumprimento vocês por mais essa propaganda”.

Como dizem em Sergipe: o hábito do tibero (cachimbo) deixa a boca torta. 

Literalmente.

Ciro Gomes
"A gente tem que ir pra rua”, diante da economia pretendida pela PEC 55 em relação aos gastos de custeio deixando de fora os juros pagos à especulação financeira.

A quem serve Juvenal Maynart?
Ao assumir o cargo de Diretor Geral da Ceplac – ainda que pareça prestígio – nos fica a sensação de mancha no currículo. Por integrar um governo contrário aos interesses do povo. 

Pelos méritos que possui não merecia essa nota. Mas, por acreditar que poderá realizar sonhos onde é proibido sonhar. 

Assim sentimos. Afinal, a quem serve Maynart?

domingo, 13 de novembro de 2016

Caminhando

Não acabou
Certamente os que se acham informados a partir do editorialismo do sistema Globo estão preparando bunkers subterrâneos para a guerra nuclear que será iniciada por Donald Trump a partir de sua posse. 

É que os que bebem no sistema esquecem de que estão limitados apenas a um lado das questões. Aquele que beneficia o próprio sistema liderado pela Globo.

Caso nada faça Trump além do prometido – e haja xenofobia nisso – tende a frear o belicismo gerado pela visão geopolítica estadunidense. Isso já será vitória grandiosa.

Que pode começar com uma aproximação estratégica dos EUA com a Rússia para frear a dimensão que a China (para os Estados Unidos) vem ocupando no cenário mundial.

Imagine o leitor que o futuro presidente dos EUA promova uma pequena rachadura nas estruturas da especulação – desvio da produção para atender à acumulação financeira (hoje virtual) que implica em concentração de renda imoral no planeta – e já terá estabelecido as premissas para uma reforma nunca imaginada. E que Clinton e quejandos nunca alimentariam.

Não nos esqueçamos que o belicismo tem sido a tônica da geopolítica estadunidense e sua atuação não só tem se tornado ameaçadora, mas um caminho para o genocídio (que o digam Iraque, Líbia, Afeganistão etc.).

Não cremos que o mundo acabou. Até porque – para nós – aquilo que é ruim para a Globo pode ser muito bom para nosotros

Noam Chomsky

Chomsky.jpg

Stone
O cineasta Oliver Stone Stone esteve no Brasil. Com quem quis se encontrar? Lula. 

Que é (ainda) a imagem do Brasil lá fora.

Ricúpero
Rubens Ricúpero insere-se dentre pensadores políticos que dispensam adjetivação. A lucidez é sua tônica. Cláudio Lembo, outro.

Diz Ricúpero, em entrevista ao Conjur, que o STF está preenchido por pavões, tanta a vaidade, e ‘obsoleto’ em capacidade intelectual. Tal “é como a nudez”, a que “pouca gente resiste”. 

Crise à vista
Sinaliza Jânio de Freitas para uma iminente crise institucional. Para nós ela já existe desde quando órgãos se tornaram ‘Poder” da República.

Dessa briga pode até sair algum ganho para o povo.

Os senhores procuradores, juízes e delegados da Polícia Federal ao fazerem política esquecem-se de que as raposas estão no Legislativo. 

E parte delas detêm a caneta(da).

Catões
Cartões corporativos alimentaram os Catões na oposição aos governos petistas.

Chegaram ao poder, sabemos como.

Para farrear com os corporativos.

Considerando a 'neo-moralidade' gastos entre julho e novembro superaram R$ 29 milhões, contra 22 nos seis meses anteriores.

Intrigante sinal para quem fala em austeridade nos gastos.

Bonaparte
Para quem lê História compreende o que seja 'solução bonapartista'. Nela fala Luís Nassif, analisando o que representa o Brasil no novo contexto mundial a partir da eleição de Trump:

E, em todos os campos institucionais, o Brasil irá para essa guerra armado com personalidades públicas de pequena dimensão, Michel Temer, Eliseu Padilha, Geddel, Henrique Meirelles, José Serra, FHC, Luis Roberto Barroso, Rodrigo Maia, Carmen Lucia, Rodrigo Janot, nenhum à altura dos grandes desafios que se apresentam em seus campos.
Aumentam as possibilidades de uma solução bonapartista em 2018.”

O quadro é apocalíptico
Tormeza costumava criticar algo quando não ia bem com a frase: crescendo igual rabo de cavalo.

Observados os números da economia – que os busque o leitor – e os elogios do economês de plantão a situação está na linha daquele progresso e desenvolvimento a que se referia vó Tormeza.  

Ou como a 'ponte para o futuro' de Ivan Cabral.

Charge Ponte.jpg

Saques
Avançam os saques. Cadernetas de Poupança depositam menos e sacam mais pelo décimo mês consecutivo.

O povo saca o que depositou em tempos de vida melhor.

Pelo caminhar da carruagem dentro em breve outro tipo de saque.


Pergunte
Se a Petrobras tem 80% de seu parque no Rio de Janeiro (que através dele arrecada) quebrar a Petrobras é quebrar o Rio.

O Rio de janeiro está quebrado. 

Em caso de dúvida pergunte ao Moro e quejandos. 

Carmen Lúcia
O jornalista Luis Nassif escancara os “ossos no armário” da ministra Carmen Lúcia, presidente do STF. As verdades cruas trazidas por Nassif menos nos informam da omissão cometida por ministros do STF em temas cruciais para a população e mais para demonstrar quão capenga – ou aleijado, mesmo – o processo de escolha de Suas Excelências.

Uma picaretagem – alimentada pelo governo FHC, naturalmente – está sob o crivo da apreciação da ministra desde 2010. E nada.

Nada menos que barateamento de remédios para a população.

Aos leitores
Um pouco de paciência com o presente. Amanhã pode ser pior.

Aos lopesinos
Como singela homenagem ao macuquense Antônio Lopes, esta mensagem de que há compositores, músicos, musicistas e intérpretes neste Brasil.

Baianos, por sinal.

                      

domingo, 6 de novembro de 2016

Começo do fim

Findando
O 2016 começa finar-se. Nada dele mais se espera. Os projetos individuais, congelados, na insegurança do dia de amanhã. Insegurança que passa a ser um componente do cotidiano. 

Desemprego alcançando patamares de Grécia, Portugal e Espanha na crise. Dos oficiais quase 12% de desempregados tem-se que o número é bem maior. Beira os 20%.

Indústria aprofundando a retração. Comércio rezando para que a queda nas vendas não mais se acentue além do que já acontece.

O ano acabou-se. O desencanto se apossou do que antes era esperança de dias melhores e ocupou – parece que de vez – a leva de desvalidos que vai se formando país afora.

Falta de dinheiro é a palavra da vez. No mundo dos particulares. e dos governos.

Nada está acontecendo por acaso. O projeto posto a andar vai obtendo sucesso. Para os mesmos. Que se diziam prejudicados com ganhos reais de salário mínimo e distribuição de renda.

O ano poderia acabar hoje. Não seria percebido.


Malhando em ferro frio
Estamos resistindo a fechar o espaço. Não por falta recursos financeiros porque – como o percebe o leitor – não o vendemos. Mas, fundamentalmente, por desencanto.

No país controlado – ao modo 1984 ou Admirável Mundo Novo, sem qualquer perspectiva literária – estamos na viela do resistir até quando?

Mas, continuaremos.

Papa Francisco I
Papa: para os bancos há dinheiro. Para pobres, não!Não salvamos o homem, a humanidade. Mas os bancos. Na crise entre um e outro a ação governamental privilegia os últimos.

Papa Francisco II
Nos “olhos das crianças” nos campos de refugiados a “bancarrota da humanidade” – diz o Francisco.

Que a Igreja Católica neste Brasil ponha em prática as palavras do Papa.

E muitos de seus setores renunciem ao ganho material como construção do espiritual.

Teatro do absurdo
Ainda que invertendo o ônus da prova – como pretensão de defesa – o escritório que defende o ex-presidente Lula se vê diante do absurdo: não há prova na acusação, mas nem mesmo posso provar que sou inocente.

PPP
Nota do portal Lula.com.br ironiza a masturbação por que passa o ex-presidente sob o condão da espúria relação Ministério Público-Globo-Judiciário, denominando-a de parceria público privada.

Sem esquecer de inseri-la no processo de lawfare que busca desconstruir a imagem de Lula e inviabilizá-lo para 2018.

Faz sentido.

Caloteiro
O filho de Lula, o Lulinha, torna-se matéria no Estadão, por dar “calote” na Anatel.

O 'calote' a que se refere a matéria é a fortuna que envolve uma cobrança de 500 reais.

Publicada duas horas depois da invasão de uma escola do MST pela polícia do tucano Geraldo Alckmin.

Justificada! 

O povo paga a conta
No Brasil midiático, nada mais natural que juízes aceitarem homenagens e patrocínios de empresas que – em muitos casos – deveriam ser investigadas por eles. Que o diga Sérgio Moro, homenageado pela Globo e quejandos.

Mas o interessante é o pagamento de diárias para membros do Judiciário que participem do evento em Arraial d’Ajuda, Porto seguro. 

Claro que é o povo pagando a conta.

Há quem veja no evento uma reprodução do Baile da Ilha Fiscal. 

Certamente a república não cairá, tampouco será restaurada a monarquia. 

Mas a natureza dos participantes, em essência, é a mesma.

Porrada comendo solta
Estudante apanha, professor apanha, o povo apanha. Uns, fisicamente; outros, indiretamente. 

Tucanos_Tecnologia_de_Ponta.jpgPesquisa Datafolha confirma o temor que a população sente da polícia.

Que age cumprindo ordens superiores.

Voltam a apanhar
Mudança. Imaginávamos que ocorrera. Que neste ano de segunda década do século XXI nunca repetiriam aquela segunda metade da década de 60 do século XX. Ledo engano.

A polícia é a mesma. E governantes há, como aqueles.

Tortura chegando
Justiça de Brasília autoriza práticas de tortura contra estudantes.

Na ditadura militar a tortura estava a cargo da repressão escondida nos porões.

Boaventura
Do sociólogo português Boaventura Santos, à CartaCapital:

"O que mais custa aceitar é a participação agressiva do sistema judiciário na concretização do golpe."

“O sistema judicial deve uma resposta à sociedade brasileira.” 

Lula sai na frente
O conteúdo da palestra de Lula a estudantes da USP, a teor do lido na Folha, nos desperta para uma situação concreta: Lula saiu na frente – ou assumiu – a defesa da nação, a convocação da juventude e a denúncia da conspiração (que ele diz não acreditar, acreditando) para solapar o país.

Entrevista