domingo, 23 de abril de 2017

País de tristes figuras


Fato público e notório, amplamente divulgado pela Folha de São Paulo, em junho de 2016: “Léo Pinheiro não conseguia fechar o acordo de delação premiada porque havia poupado Lula das acusações."

E nos vem neste abril, às vésperas do Tiradentes, a delação de Léo Pinheiro – somente agora admitida, porque antes de nenhuma serventia por não incluir Lula em ilícitos – da qual fica uma lição basilar: o que não faz o constrangimento imposto pelo Estado de Exceção.

Quando a pena de Léo Pinheiro for reduzida tudo ficará mais claro.

Na ausência de provas contra Lula tentam encontrar uma convicção (que ainda lhes faltava) para condená-lo. Nascida de uma pressão criminosa contra um homem combalido pelo constrangimento a dizer o que o acusador precisa – ou quer – ouvir, sob a máxima ‘dize-me na forma que o quero ou apodrecerás na prisão.

A condenação que resta a Moro é a de – não tendo provas contra Lula – dizer que Lula fez desaparecer as provas contra si. Supimpa!

E não se culpe um grupo de violadores especificamente. A descrença de Léo Pinheiro – que o leva ao degradante resultado atual – nasce de um Judiciário que perdeu a razão de ser, desde o dia em que julgadores passaram a defender que uma operação de exceção justifica meios excepcionais. Ou seja: a exceção pela exceção, e tenho dito!

Miguel de Cervantes criou a personagem imortal de Dom Quixote, ‘o cavaleiro da triste figura’. 

Estamos concluindo o primor tupiniquim: “o país de tristes figuras”.

Desmoralização
Quando a documentação existente afirma ser da OAS a tal cobertura no Guarujá, inclusive arrolada judicialmente para garantir credores em pedido de recuperação da empresa; depois de tantas dezenas de testemunhas de acusação ouvidas onde nenhuma afirma qualquer ilação/insinuação que torne Lula agente do ilícito; ainda que a hoje testemunha tenha negado participação do ex-presidente, vem a imprensa antecipar o que resolveu falar em Juízo (Deus sabe sob que estado emocional – o tom de voz nas respostas bem o demonstra), ainda que detido em presídio, tudo está a demonstrar o estágio a que chegou determinado magistrado e sua singular prestação jurisdicional para coleta de provas.

Haja espontaneidade! 

Renúncia coletiva
De acordo com o antecipado (por Valor), o acordo será fechado com a Procuradoria Geral da União após a colaboração de Leo Pinheiro no processo do triplex.

A banca de advogados do empresário deve renunciar.

Faltou explicar por que. 

Nada escapa
Aqui se plantando tudo dá  disse-o Pero Vaz de Caminha. Ou, aqui em se querendo tudo se vende e tudo é mercadoria. Como registra Jeferson Miola, no GGN:

“O depoimento de Emílio Odebrecht evidencia a hipocrisia da mídia, sobretudo da Globo, que dissimula indignação com os procedimentos conhecidos há pelo menos 30 anos. Assim, a mídia constrói a falsa narrativa de que a corrupção no Brasil nasceu nos governos petistas [sic]. O patriarca da empreiteira explicou, contudo, que a promiscuidade da empreiteira com o Estado advém da época do seu pai, Norberto Odebrecht, que fundou o conglomerado em 1944.

A dinheirama da Odebrecht que irrigou o sistema político brasileiro só nos últimos 10 anos atingiu a cifra assombrosa de US$ 3,3 bilhões [R$ 10,6 bilhões], valor superior ao PIB de mais de 40 países. Isso expressa o poder de dominação do capital sobre a política; esclarece como o capital deforma a democracia. O dinheiro é um poder que frauda a soberania popular e corrompe a política para orientar, a partir do controle do Estado, a concretização dos seus interesses e negócios.”

Na mesma esteira Aldo Fornazieri:

“[...] delações revelaram, em termos políticos, é que quase tudo está a venda e quase todos se vendem. Vendem-se medidas provisórias, licitações, leis, tempos de TV, alianças eleitorais, perguntas em debates presidenciais, notícias, fim de greves, impeachments etc. E se vendem o pastor, o sindicalista, o índio, a polícia, o delegado, o prefeito, o deputado, o governador, o senador, o presidente, o juiz. Vende-se a soberania popular e a democracia.

[...] No vasto balcão da corrupção brasileira, a saúde, a cultura, a educação, as creches, os direitos, a ciência e a tecnologia esvaem-se nos imensos recursos que empresas entesouram pelas valas medonhas da privatização da res publica.”

Ainda que não se deva generalizar (e não o pretendemos) o sistema, em seus tentáculos, está viciado em suas origens. Do cidadão que vende o voto ao servidor público ou funcionário privado que contribui com aquele jeitinho, do médico ao empresário, todos os componentes de raças da classe dominante, por suas diferentes elites, das socialites aos falsos jornalistas e os não pouco corruptos meios de comunicação, nada fica de fora. 

Afastá-los é apenas a hipocrisia maniqueísta de ver nos outros o centro de todos os males enquanto os que causo pairam acima da ordem, das leis, da Moral.

No fundo, vivemos a plenitude da apropriação do Estado Democrático de Direito pelo capital, que se tornou um estado paralelo, como observa Jeferson Miola.

Nada escapa à sanha criminosa.

O grosso da patranha
Caso a cruzada contra a corrupção tenha os valores($) roubados como paradigma a hora chegou de alcançar alguns ‘privilegiados’.

Não que se não deva esperar punição a ilícitos cometidos por Lula, por menores que sejam – mesmo o de não possuir um apartamento que nunca foi dele, mas que serve de base para uma condenação com base em convicções” – mas não custa comparar com algumas quantias citadas pela Odebrecht em relação a Alckmin, Marcondes Perillo e Beto Richa, mesmo deixando de lado José Serra, Aécio Neves etc. etc. 

São R$ 180 milhões envolvendo campanhas somente dos governadores tucanos acima...  alimentados pela Odebrecht. 

Sem dispensar todos os demais partidos, sem esquecer aqueles US$ 40 milhões (de DÓLARES) capitaneados pelo interino tornado presidente para o seu PMDB.

Aguardando as provas
Há muito evitamos comentar em público (conversas) fatos relacionados a Lula, sob o crivo da lei como premissa da prestação jurisdicional. Ou seja, emitir raciocínio como advogado.

Por aquilo que nos chega, não sabemos se na atualidade alguém no planeta Terra sofre um massacre em nível de lawfare como o ex-presidente.

O que está por acontecer confirmará o porquê – ainda que advogado – deixamos de acreditar na Justiça a cargo de alguns agentes do Judiciário.

Preferimos copiar Assis Ribeiro, do GGN:

“O massacre diário de Lula na imprensa visa municiar o Ministério Público a criar a sua verdade, mesmo sem fatos suficientes para fundamentar minimamente uma denúncia, e com isso influenciar a sociedade a aceitar ilações como verdades e blindar o juiz para a suas decisões antidemocráticas, injustas e ilegais.

Até que – com provas, e não ‘convicções’ – nos provem o contrário Lula será inocente. 

O butim
O jogo se sustenta porque o tabuleiro fica nas costas do povo. Caso o povo se levante acabará o jogo? Ou, tem como o povo se levantar? 

Correm para aniquilar conquistas dos trabalhadores, para violentar o sistema previdenciário e de seguridade social.

Eis o busílis: o povo. Que contra ele é usado o aparato policial... pago por ele (povo).

Jânio
Ridículo em sua mesquinhez, prepotência, pequenez humana, egoísmo funcional etc. etc. registra Jânio de Freitas, na Folha:

"O juiz Sergio Moro ofereceu mais uma demonstração de como concebe o seu poder e o próprio Judiciário. Palavras suas, na exigência escrita de que Lula compareça às audiências das 87 testemunhas propostas por sua defesa:

'Já que este julgador terá que ouvir 87 testemunhas da defesa de Luiz Inácio Lula da Silva (...), fica consignado que será exigida a presença do acusado Luiz Inácio Lula da Silva nas audiências na quais serão ouvidas as testemunhas arroladas por sua defesa, a fim de prevenir a insistência na oitiva de testemunhas irrelevantes, impertinentes ou que poderiam ser substituídas, sem prejuízo, por provas emprestadas'. É a vindita explicitada.

Um ato estritamente pessoal. De raiva, de prepotência. É uma atitude miúda, rasteira. Incompatível com a missão de juiz. De um "julgador", como Moro se define.

O Judiciário não é lugar para mesquinhez."

De nossa parte registramos: à procura de uma mísera prova contra o ex-presidente ouviu 73 testemunhas de acusação. 

E – certamente porque ganha pouco – se sente ‘achacado’ em cumprir o seu dever funcional: ouvir as testemunhas arroladas pela defesa de Lula.

Gargalhada
Quando João Alves de Almeida, um quase eterno presidente da Comissão de Orçamento do Congresso Nacional, flagrado em corrupção, depondo perante a comissão de Ética que veio a recomendar a sua cassação, respondeu sobre o porquê ganhara muitas vezes na Loteria e saiu-se com o antológico “Deus me ajudou muito”, a gargalhada foi geral.

Daquele escândalo nasceu uma CPI, a das Empreiteiras, que nunca deu em nada.

Os atores (empreiteiras) continuaram fazendo o de sempre. E – sem aliviá-las – a classe política permanecendo como única culpada.

E a gargalhada continua.

Para rir
A lista de apelidos de políticos do Senado (apenas do Senado) na relação de trambiques da Odebrecht.

Aécio Neves (PSDB-MG) - Mineirinho
Antônio Anastasia (PSDB-MG) - Dengo
Cássio Cunha Lima (PSDB-PB) - Prosador
Ciro Nogueira (PP-PI) - ​Cerrado​
Dalírio José Beber (PSDB-SC) - Conquistador
Edison Lobão (PMDB-PA) - Esquálido
Eduardo Braga (PMDB-AM) - Caderudo
Eunício Oliveira (PMDB-CE) - Índio
Fernando Collor de Mello (PTC-AL) - Roxinho
Ivo Cassol (PP-RO) - Massaranduba
Jorge Viana (PT-AC) - Menino da Floresta
José Agripino Maia (DEM-RN) - ​Gripado​
José Serra (PSDB-SP) - Vizinho / Careca
Omar Aziz (PSD-AM) - Ganso
Renan Calheiros (PMDB-AL) - Justiça
Ricardo Ferraço (PSDB-ES) -​ Duro​
Romero Jucá (PMDB-RR) - Caju
Valdir Raupp (PMDB - RO) - ​Alemão​
Saída
Desemprego em alta, expectativa de crescimento em baixa. 

Busca-se uma luz no fim de um túnel que não surge.

De queda em queda não há saída: só eresta xplodir o povo.

Eliana Calmon
A entrevista concedida causou lacunas profundas à credibilidade e à seriedade da ex-Ministra Eliana Calmon. Mormente ao dizer – ela que parecia o terror para muitos enquanto corregedora – que viu mas não coibiu exageros da Polícia Federal em relação a vazamentos para a mídia

Na lama
Na lama, ops!, na lona!

Iniciativa do PSOL junto ao STF pretende que o interino tornado presidente seja investigado. 

Juristas são claros: não pode ser acusado, mas investigado, sim.

Aguardemos a solução (salomônica) do STF e veremos o caminho que a turma pretende dar ao arrecadador mor do PMDB.

Didaticamente objetivo
Não pelo fato de se originar de um dos advogados de Lula, mas em razão do conteúdo da refutação (aqui) a Merval Pereira, de O Globo. 

Intervenção
Crise na Venezuela somente acabará com eleições livres, diz o interino tornado presidente. E a do Brasil?

Até porque – em nível de método – o golpe em andamento por lá – desenvolvido desde 2002 – é o mesmo consolidado aqui. Que deu no que deu.

Não bastasse, ‘sua excelência’ (com letra minúscula mesmo) ao fazer tal declaração promove indevida intervenção em assuntos internos de outro país, postura incompatível para um chefe (?) de Estado.

Francisco, o único
Com todas as letras confirma: não virá ao Brasil. E diz por que (ainda que utilize como álibi a agenda): 

“Sei bem que a crise que o país enfrenta não é de simples solução, uma vez que tem raízes sócio-político-econômicas, e não corresponde à Igreja nem ao Papa dar uma receita concreta para resolver algo tão complexo  (…) Porém, não posso deixar de pensar em tantas pessoas, sobretudo nos mais pobres, que muitas vezes se veem completamente abandonados e costumam ser aqueles que pagam o preço mais amargo e dilacerante de algumas soluções fáceis e superficiais para crises que vão muito além da esfera meramente financeira”, acrescentou. Inflação: Por que os pobres sofrem mais?

Mas Bessinha tem outra interpretação.
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Circula na rede
A recusa do papa Francisco em vir ao Brasil do interino tornado presidente pode levar a uma saída: condução coercitiva.

É só falar...

Igreja Viva

                      

domingo, 16 de abril de 2017

A verdade por ser encontrada

A entrevista de Assad ao AFP (a íntegra aqui ou aqui) levanta sérias dúvidas sobre a fonte do ataque com armas químicas a Kun Sheikhun, na Síria, motivo de retaliação dos Estados Unidos. Diz Assad que não possui armas químicas.

Verdade ou não o que diz o sírio o filme contem elementos comuns em casos que levam os EUA a ‘retaliações’. O Iraque que o diga.

Perguntado sobre Trump, declarou: 

“[...] este ataque é a primeira prova de que não se trata do presidente dos Estados Unidos, mas do sistema, do próprio regime nos Estados Unidos. É o mesmo. Não muda. O presidente é um dos atores no cenário americano. Se quiser ser um líder, e qualquer presidente ali quer ser um líder, não poderá. Alguns dizem que Trump queria ser um líder. Qualquer presidente ali que queira ser um líder depois tem que engolir as palavras, deixar de lado seu orgulho, se o tiver, e dar uma guinada de 180 graus. Caso contrário, pagará na política.

[...] Enquanto os Estados Unidos forem governados por este complexo militar-industrial, empresas financeiras e bancárias, o que se pode chamar de o regime profundo que atua no interesse destes grupos, evidentemente pode se repetir em qualquer lugar e a qualquer momento, e não apenas na Síria.”

Perda de controle
A classe política está percebendo – alguns dos que a integram há algum tempo, amadurecidos na experiência – que seu futuro está à deriva, sem nenhum controle próprio. O poder detido à custa do voto popular passou a residir circunstancialmente no xadrez do tabuleiro do Ministério Público, que ora detém a iniciativa do jogo. 

O último ato de Rodrigo Janot – escandalizando no lugar comum uma gama de políticos na vazada ‘lista de Fachin’ – pode ser a gota d’água, a última, em sede de alerta máximo.
A utilização da mídia como instrumento de apoio à formação de um imaginário contra todo e qualquer político (onde todos passam a ser iguais perante a corrupção) já ocupa foros insustentáveis para uma democracia moderna.

Aprofunda-se a percepção de que – a teor do que vem ocorrendo – nada restará para governar/dirigir o país a não ser procuradores e promotores, parcela impregnada de certezas. Ou quem por eles indicado. 


Nada de Poder Executivo, muito menos Poder Legislativo. Tão só uma velada ditadura branca autoreconhecida na meritocracia intelectual do ‘concurseirismo’ em sua maioria.
A confusão que hoje norteia a população é a de que financiamento privado de campanha política – todo ele – é fruto de corrupção. Nem o velho e tradicional Caixa 2 foge ao estigma. 

Qualquer político eleito é criminoso de sangue, basta haver recebido doação de alguém. À luz do conceito da “convicção” o mais remoto caboclo do interior ao doar para seu partido ou candidato pode ser ‘interpretado’ como mula de corrupção. 


Não bastasse, pedido de doação, lobismo e enriquecimento ilícito passam a integrar o mesmo universo. A doação da Odebrecht a Marina Silva, em 2014, por exemplo, entra no rol do esquema, pela generalidade das denúncias, ainda que de sã consciência ninguém ouse afirmar alguma irregularidade; no entanto, caso alguém passe a ter alguma ‘convicção’... A prova? Fica para depois!
A Lava Jato – por seus costumeiros e constantes erros – deixou de lado a apuração de ilícitos para se tornar agente punitivo antes de sentença ou mesmo de processo instaurado. E o absurdo da condução coercitiva nos moldes em que posta em prática não deixa mais qualquer dúvida de que atende à sanha de vingança implantada, para gáudio da plebe romana no Coliseu em que se tornou esta terra brasilis, onde os atores são agentes de estado no exercício de suas funções vazando espetáculos para a mídia capitaneada pela TV Globo. 
Estamos confirmando essa inusitada nova era: a tutela das instituições democráticas por corporações estatais em conluio com a mídia. Os poderes que não se submetem – como o Executivo e o Legislativo – à chancela do voto e dele passam ao largo.
Resta-nos, deste espaço, aliarmo-nos ao desabafo indignado de Luís Nassif. 

Afinal, a implosão do sistema político não aperfeiçoa a Democracia; põe-na em frangalhos, à deriva.

                        

Eis o busílis
Possível que as velhas raposas políticas – que detêm os segredos e as chaves – estejam planejando reocupar o espaço de poder que lhes cabe, por representação.

Precisarão, no entanto, combinar com a Globo. 

Das cinzas...
Restará de tudo ao final – a permanecer o costume – apenas o espalhafato, razão de ser do procedimento. 

Como já afirmam quatro dos ministros do STF, dentre eles Marco Aurélio Mello, o risco é concreto de que parte das investigações e processos venha a ser alcançada pela prescrição (O Globo).

O erro original de confundir Corte Constitucional com última instância processual e mesmo original – no caso dos crimes e apurações que são de sua competência, como o foro por prerrogativa de função, o chamado “privilegiado”, definido na Carta de 1988 – como pode ser vista mostra-se incompatível com a realidade.

Não fora isso – o que pode motivar mais uma derrama em favor do Judiciário, que não tardará exigir dinheiro para anexos, prédios mais amplos etc. – o STF não tem estrutura para lidar com processos da magnitude que ora enfrenta, a partir das delações da Odebrecht.

Mais um caos para o desarranjo promovido pelo desmedido uso deste novo poder da república.

No fundo...
No fundo, no fundo, o principal e fundamental projeto e finalidade foram atingidos: dificultar ou inviabilizar a candidatura Lula, abrindo possibilidade concreta de ser condenado agora em 2017 na base de convicções, sem provas definitivas, porque já se encontra, há muito, pré-condenado pela mídia.

Ou, permanecer investigado sob carga cada vez mais violenta do lawfare por que passa. 

Palestras
O mundo vem abaixo porque Lula fez palestras remuneradas para a Odebrecht.

Parece que Fernando Henrique nunca as fez para a empresa! Ou dela não recebeu cerca de R$ 900 mil há mais ou menos 10 anos.

Jânio matou a charada
A declaração de Marcelo Odebrecht certamente não agrada a Moro e procuradores, de que os recursos que alimentavam partidos nem sempre eram ilícitos.

Na quinta 13 Jânio matou a charada e lançou no colo dos sedentos: demonstrar a origem ilícita dos recursos como prova para incriminar e condenar. 

Muito antes
No início dos anos 90, distante de 2002 – eleição de Lula – Frei Chico assessorava a Odebrecht na área sindical. Depois da eleição a empresa manteve o apoio financeiro.

Não sabemos se tal postura é ética por parte de Chico ou da empresa.

Certamente também o será ou não a rede Globo custear Mírian Dutra no exterior para afastá-la, com o filho, do risco que causava a FHC.

Muito recente
A Odebrecht garantia, à direita, a manipulação do movimento sindical. 

Com Paulino da Força (Sindical). 

Para boicotar greve. 

Nada resta
O que resta da imagem do interino tornado presidente perante a imprensa internacional não lhe dá mais do que ser citado pela circunstância de ter sido beneficiado por um golpe parlamentar-judiciário. 

Apareceu o Caixa 2
O sempre famoso Caixa 2, que Joaquim Barbosa transformou em corrupção (com dinheiro privado!!!!), é a palavra mais declamada na atualidade. 

Excelente, como piada
Dilma interpusera Mandado de Segurança contra o impeachment junto ao STF. Neste abril o Procurador-Geral Rodrigo Janot se manifestou pelo prosseguimento do mandamus para que o STF julgue em torno da forma e do mérito. Ou seja, os vícios do procedimento e a existência ou não de crime de responsabilidade.

Primeiro instante: gaudio et spes (alegria e esperança) de que a Justiça seja feita e tudo seja anulado com o retorno de Dilma ao Poder.

Segundo instante: de mofa e galhofa. Motivo: o ministro Alexandre Moraes será o relator. 

Que não tem prazo para se manifestar. Ou, se tiver, não será cobrado por atrasar seu voto. 

Pavão chamuscado
Não são somente os pés que enfeiam este pavão. As penas acabam de ser chamuscadas. Ainda que em fogo limitado, que lhe deixa restos para exibição. 

                      

Indulgência
Para quem vai a conta todos sabemos. Aposentados e trabalhadores que, em geral, são sempre a causa do desastre.
Mas o coitadinho do banco Itaú se livra de uma dívida de 25 bilhões com a Receita Federal, desdentando o Leão. Perdoado que foi pelo CARF, aquele órgão denunciado por propinagem, incluindo um conselheiro que relatava o caso do Itaú. 

Afastado aquele foi substituído por um representante do sistema financeiro. Bingo!
Por mera coincidência o atual presidente do Banco Central também é do Itaú.  

Acabou I
Aquele patético grito de Galvão Bueno no final da Copa de 1994 cabe-nos aplica-lo ao programa “Farmácia Popular do Brasil”, por iniciativa do (des)governo do interino tornado presidente.
Acabou!!!! Acabou!!!! Acabou!!!! Acabou!!!!

Acabou II

O Ciência Sem Fronteiras, por determinação do (des)governo, também entra no grito: 

Acabou!!!! Acabou!!!! Acabou!!!! Acabou!!!!




quinta-feira, 13 de abril de 2017

À espera de domingo

Ainda não é o fim do mundo
Há muita gente ouriçada com a "lista" de Fachin. Aquela liberada a partir de delações. 

Uns veem o envolvimento de tucanos como inevitável desdobramento dos fatos depois de esgotados em relação ao PT. 

Mas não falta quem veja em Lula o grande destinatário de tudo. A uma, porque "provas" surgem; a duas, porque estando ele no mesmo espaço se torna igual e, naturalmente, o saco de pancada para aliviar a carga dos demais.

Analisando  sem preocupação proselitista, apenas técnica  não há que falar-se em delação como prova, tão só como indício para a comprovação. Mesmo porque apenas dizer sem comprovar mais sustenta a necessidade de constituí-la objeto de investigação.

Por outro lado estamos na singular república (com letra minúscula) onde se pinta o inimigo/adversário ao gosto. Assim como o amigo. 

Enquanto isso a verdade factual passa ao largo... quando vem ao caso. Firmando convicções que  como disse Nietzsche  "são inimigas da verdade bem mais perigosas do que a mentira".

Melhor ficar com a conclusão do chargista Bier.

domingo, 9 de abril de 2017

De guerras e batalhas

O tema motiva tratados. Um clássico gira em torno dela – “A Arte da Guerra”, de Sun Tzu (544 a.C. – 496 a.C.) – há 25 séculos, elevando o tema ao patamar da Filosofia, migrado até mesmo para o universo de economistas e administradores. Nenhum estrategista o dispensa.



No entanto, o caráter sazonal da guerra contemporânea a Sun Tzu, com códigos de certa forma estabelecidos, levava o estrategista/general a exercitar a dissimulação, o segredo e a surpresa dentro do objetivo da vitória militar, sem que com isso a força pela força, em detrimento do fraco, fosse a tônica. 

Cabia ao governante de boa índole “não massacrar cidades”, nem mesmo “emboscar exércitos adversários”. Nela, “A Arte...”, um tratado de ética norteando a batalha. A deslealdade não se integrava àquele momento histórico. Vencer, pura e simplesmente, não consistia na arte de guerrear.
Os tempos são outros, não de agora. As guerras permanecem, destituídas de ‘arte’. Os últimos acontecimentos na Síria confirmam-no. Para gáudio de muitos.
Enquanto os sírios vão morrendo – sendo imolados, melhor se aplica – as potências mantêm seu processo de controle hegemônico. Paquistaneses, africanos vários, iraquianos etc. etc. sabem muito bem o que isso significa. 

Sob esse viés, o ataque estadunidense a uma base síria mais nos cheira a enfrentamento interno. Não de agora a especulação de que Putin ‘ajudou’ a eleição de Trump e que este se encontrava harmonizado com o russo em relação a algumas políticas do atual presidente dos EUA.
A briga, assim, deve ser vista, ainda que palpável, sob vertentes diversas: 1. externamente, porque – a não ser por ato insano – seria deflagrada uma guerra atômica se efetivamente vingar o conflito entre as duas potências; 2. internamente, porque a indústria bélica – que sustenta governos (democratas ou republicanos) precisa vender o seu pão, que não é feito com farinha-de-trigo mas com guerras. Consumado o ataque Trump sai vitorioso politicamente em seu terreiro: atende aos falcões e cala adversários de sua postura ainda não definida em plenitude.
Os próximos passos definirão o que efetivamente está por vir. Caso contornado o impasse fortalecido internamente ficará Trump, que sofre riscos perante o Congresso justamente pela tal ‘aproximação’ com Putin (que foi notificado antecipadamente do ataque a ser desferido, uma vez que na base atacada há russos). 

Caso contrário – de uma guerra nuclear – pode haver uma intervenção estranha, muito estranha.
Há alguns anos os Estados Unidos tentaram ativar mísseis em defesa de suas usinas nucleares e tudo foi impossibilitado/paralisado inexplicavelmente. (A ameaça residia na presença de OVNIs no entorno de tais usinas). Nessa mesma Síria a intervenção russa já inviabilizou a ação desses mesmos tomahawk.
Dizem que o abraço do urso (símbolo russo) pode ser fatal para muita gente, ou para todos; menos para Assad e o regime vigente na Síria. E os Estados Unidos – incluindo Tump – sabem disso.
No absurdo das guerras – onde os mesmos poucos ganham e quase a totalidade envolvida perde – não há que se falar em ética e respeito à vida humana, tampouco “não massacrar cidades”. 

Caso não houvesse tanta manipulação quanto à informação certamente saberíamos quão sujos são os propósitos.

Quinze minutos...
No mais, resumimos citando José Ignácio Torreblanc, editor do El Pais:
 "É certo que esses mísseis incomodam um pouco Moscou, transformado no garantidor da integridade do regime sírio. Mas não cai mal para Trump aparecer, ainda que por apenas dez minutos, como alguém que não está plenamente alinhado com Putin, a quem, recordemos, um líder com a incontinência verbal de Trump não dedicou uma só diatribe ou reprovação".
Razão por que – não nos custa afirmar – tudo está em processo de freio de arrumação.

Nem tudo é vitória. Que o diga Pirro
Defendíamos nosso cliente da acusação de homicídio qualificado. Todos os elementos configuradores da legítima defesa se achavam presentes no processo. Inclusive a perseguição pela vítima e seu grupo ocorrida recentemente que escorraçara o acusado de um campo de futebol dizendo-lhe que se o encontrasse de novo “ele veria”. 

O briguento não perdeu a hora quando o reencontrou (com o grupo, naturalmente). Viu-se imprensado pelo agressor. Uma facada só alcançou um vaso grosso no alto da clavícula etc. etc.
Nossa análise não distorcia de que outra pudesse ser a reação do júri: a absolvição, amparada na tese da legítima defesa própria.
No entanto, um oficial de justiça da comarca, indagado por nós sobre a repercussão do caso, na véspera do júri, alertou-nos: - Muito cuidado, doutor. Fulano (a vítima) era sobrinho da mulher do prefeito e ela e ele saíram ontem, de casa em casa de cada um dos 21 selecionados para o sorteio do júri, pedindo pela condenação.
Munido da informação nos vimos diante de que certa se tornara a condenação – que implicaria em mais de 12 anos – e a necessidade de recurso ao Tribunal e quejandos tais caso mantivéssemos a tese pretendida.
Como o acusado se encontrava preso há quase três anos desenvolvemos a seguinte solução: legítima defesa, como primeira tese de defesa e homicídio privilegiado (após injusta provocação da vítima), como segunda. Não deu outra: o conselho de sentença negou a legítima defesa por 7 x 0 e acolheu o homicídio privilegiado por 6 x 1. A condenação, em pouco mais de quatro anos, assegurou-lhe a saída da cadeia, por já haver cumprido tempo suficiente à mudança do regime.
Todas as decisões de um advogado devem estar pautadas no bom senso; o que melhor se adapta à realidade, quando possível escolha. Alguns jactam-se de defender ao sabor dos fatos disponíveis no processo (no caso de réus levados a júri popular) sem observar fatores alheios àquele mas que nele se inserem por via indireta, como no caso dos crimes que vão a júri, quando a decisão cabe a membros da sociedade e ao juiz prolata-la declarando a absolvição ou a condenação com respectiva pena sob sua dosagem. Até mesmo o tipo de ação pode levar a um resultado positivo conforme a escolha do tipo de ação, a forma como conduz etc.
O que ora registramos vai posto em relação ao pedido de advogados da chapa Dilma-Temer sob julgamento no TSE. Sabido e consabido – declarações do boquirroto Gilmar Mendes, que a tudo sinaliza – que há um consenso que em muito extrapola o universo do direito como instrumento de efetivar Justiça. 

Afastada a petista da presidência – ainda que a tragédia presente levasse a uma outra consideração – não falta quem veja na permanência do interino tornado presidente a solução. Não para o Brasil, mas para o entreguismo desenfreado aliado ao ataque como nunca ocorreu às várias conquistas do povo, mormente aos trabalhadores e aposentados, passando pelo privilegiamento ao capital financeiro em todas as suas vertentes. Mais Médicos minguando, Bolsa Família sob ataque...
A decisão sob plenitude dos fundamentos jurídicos, que, constitucionalmente, norteiam a unidade de uma chapa majoritária – não deixa qualquer dúvida de que o resultado do julgamento atingirá a ambos. (Não enveredamos aqui nem nesta ou naquela circunstância do processo em si).

Naquele ‘augusto’ Tribunal apenas uma ou duas peças não se ajustam ao lógico (da manutenção do interino, por via do desmembramento da chapa indivisível) e poderiam melar a pretensão ventilada pelos açougueiros da Constituição (muito em voga nos Tribunais atuais). 


Tais entraves, no entanto, estão prestes a deixar a Corte, quando serão substituídos no galinheiro por ordem da raposa.

Como a sorte está lançada, a permanência do atual conjunto mais atenderia aos interesses de Dilma Rousseff. 
Seus advogados, porém, conseguiram adiar o julgamento. Tenho dito. Nada a dizer. A não ser apelar para tribunais internacionais.
O adiamento é uma vitória, dirão muitos. 
Pirro também venceu.

Nova classe média
Queiram ou não os anos de governo petista parecem haver gerado uma nova perspectiva de observação por parte da sociedade. Aquela gente que passou a integrar a classe média nestes últimos anos apresenta contornos que sustentam uma diferente visão da realidade quando comparada com a forma de ver da tradicional.
É a conclusão de uma pesquisa do Instituto Perseu Abramo, tendo como palco as periferias de São Paulo.
Nossa crítica reside – sem demérito ao proposto, um avanço – no que vemos como campo da pesquisa: apenas São Paulo. Tal nos cheira aquele velho ranço de São Paulo como locomotiva do país, centro do pensamento e quejandos. 

E tal ranço norteia muito o Partido dos Trabalhadores (a quem vinculada a FPA).


Mesmo porque, no que pertine ao objeto da pesquisa, não somente ‘a periferia’ paulistana há de repercutir o resultado das Políticas de Estado postas pelos governos petistas.

À guisa de provocação: pode-se afirmar que o resultado nas periferias de São Paulo é idêntico em relação ao Nordeste, Norte, Centro-Oeste no âmbito de oferta de Universidades, Prouni, Fies, Institutos de Educação, Luz Para Todos, Minha Casa Minha Vida,  Mais Médicos e agricultura familiar?


Tanto que – salvo melhor juízo – aquela batalha perdida pelos governos petistas no âmbito da comunicação gerou essa 'nova classe média' amparada em valores em muito tradicionais, desprovida de sentido crítico (sob observação à luz da História) sobre o que ocorreu no país e com ela. 

Isso fica claro – consta do resultado da pesquisa: eleitoralmente "votou no PT de 2000 a 2012, mas não votou em Fernando Haddad nas eleições municipais de 2016 e em Dilma Rousseff na eleição presidencial de 2014."
Talvez aquelas periferias como campo de estudo – pode ser cisma individual – sejam, como amostragem, coisa de São Paulo e de paulistas. 

Praga se alastrando
Não nos poupamos de criticar os “concursos” pátrios nesta contemporaneidade, daí o “concurseiro” como instrumento da imbecilidade que hoje norteia carreiras que dependem da Ciência do Direito. Não nos cansamos de afirmar que a ausência de questionamentos em áreas como Geopolítica, Economia Política, História Geral, Geografia, Filosofia, Sociologia fazem de muitos dos nossos “aprovados” figuras inexpressivas no exercício da função – apenas aplicadores da lei pelo texto nela exposto – respeitadas pelo poder que detém e não pelo conhecimento que deveriam ter.
Não bastasse, as provas nos concursos passaram a traduzir o que foi dito neste ou naquele “cursinho” preparatório. Todos eles movidos a resumos, apostilas etc. Ocupado o foi pela mercantilização, resultados financeiros.

Muito a propósito "A teoria da graxa, a concursocracia e o Direito mastigado", por Lênio Streck, no GGN.

Batalhas
Quando os campos de batalha falam do mesmo fato e os comandantes da guerra tratam-no ao seu modo de ver.

                 

Crueldade sem peias
Não há pruridos para com povo. Desemprego nas nuvens, nenhuma expectativa para a economia, inadimplência aumentando. E o que faz o governo usurpador: libera o FGTS para garantia de empréstimo consignado.

Não há risco para o sistema financeiro: servidor, público ou aposentado, garante.

Ou seja: garante os bancos e esfola a reserva do desgraçado. 

Ataca – diante da queda da renda – a poupança dos mais vulneráveis. 

E para mais dourar a pílula aumenta o prazo para o empréstimo.

CNBB e as reformas
“É o momento de chegarmos nas pessoas pois a mídia não está possibilitando fazer com que a população entenda a gravidade do que está acontecendo e o que aparece nos meios de comunicação é muito favorável  às reformas”, analisou Dom Leonardo durante encontro com lideranças sindicais.

Gostaria muito, muito mesmo, de ver do púlpito de todos os templos católicos a mensagem de Dom Leonardo Ulrich Steiner, Bispo Auxiliar de Brasília e Secretário-Geral da CNBB sendo levada aos fieis.