domingo, 19 de fevereiro de 2017

Gargalhares e ironias

Quá-quá-quá-quá...
Empáfia tartufista. O STF admitiu condenar o Estado a pagar indenização por preso em cela superlotada. Considerando aquele universo beirando 700 mil somente em penitenciárias e outros milhares em delegacias e prisões de pequenas dimensões abre-se um filão a ser explorado por profissionais do direito e mais uma fonte de sangria para o erário.

No entanto deixemos de lado a superpopulação carcerária em si, detalhe de pouca significância no contexto. Afinal, outra poderia – e certamente o seria – a situação de barbárie por que vivemos se não vivêssemos o angustiado tema como farinha e feijão no cotidiano dessa terra brasilis como natural à isso que chamam de existência.

Mas, diga o leitor se não estamos na terra da bazófia: o STF, expressão última do Poder Judiciário (Tribunais e Varas Criminais e de Execução Penal), contributivo – com seu Conselho Nacional de Justiça, ao qual controla – com a superpopulação carcerária, seja-o por tolerar a manutenção em cela de presos que já cumpriram pena pela simples (não)atuação dos juízes da execução penal, seja-o pela exacerbação do exercitamento da prisão como solução (inclusive a provisória, eternizada). Por tal viés quase 50% de encarcerados por lá não deviam andar.

Não bastasse, a segregação pura e simples – em vez de aplicação de outras penas – envolvendo inclusive crimes de menor potencial ofensivo, ou pautados na discriminação afastada dos estudos científicos, como recolhimento de usuários de droga, agravam a situação.

E para coroamento: o recolhimento à prisão antes de transitada em julgado a decisão condenatória, decisão referendada pelo dito cujo (STF).

Aí a anedota bizarra: o Judiciário que superlota cadeias condena o Estado a indenizar a vítima da superlotação em R$ 2 mil. (Lembrando que o dinheiro não sairá de seus cofres). E nem comentemos a piada que é o valor arbitrado para quem dormia com a cabeça apoiada no vaso sanitário. Esqueceram de aditar o risco de a descarga estar com defeito (sem água mesmo!).

Ah! Stanislaw Ponte Ponte Preta, que falta fazes! Certamente descobririas onde se escondem as dissimulações intencionadas e nos fizesse rir apenas.

Tribunal Constitucional
A análise levada a termo por um anônimo no Conversa Afiada põe a nu não somente as razões por que um Tribunal Constitucional deixou de ser criado através da CF/88 como falecem as estruturas do atual sistema.

Temos afirmado neste espaço que um dos grandes problemas gerados pelo concurseirismo no Brasil reside, justamente, no fato de que as avaliações apresentam-se sob um caráter positivista e não universalista. Assim, alguém a quem estará submetido um caso de repercussão e desdobramentos complexos não encontra a solução ideal porque, como julgador, desconhece fundamentos vários a que deveria estar atrelado (mas, não está) como Geopolítica, História, Geografia, Sociologia, Economia Política, Antropologia etc. etc.

O exemplo mais clássico nesta contemporaneidade está no poder atribuído a um juiz de primeiro grau, capaz de promover decisões – e não entremos aqui na dimensão político-ideológico-partidária, onde sinais concretos há de atuação – ao arrepio de visão/informação na História, na Economia, na Geopolítica etc. etc.

O resultado aí está.

E como não temos aquela Corte Constitucional o que dela se arvoram cultores, encastelados no STF, legitimam os absurdos todos. Mormente porque ali chegaram amparados nos mesmos vícios que construíram nossa classe dominante, onde o que menos objetiva para ela é a construção de uma Nação, limitada que está ao puro e simples – dos mais mesquinhos – patrimonialismo.

Não afirmemos que do caos atual sairá algo de grandioso. Afinal, está tudo dominado por tais classes. E a única saída – o conflito intestino – não decorrerá, porque sobra sempre alguma coisa suficiente para calar a boca descontente, cultora do jargão ‘meu pirão primeiro’, porque sempre haverá pirão para toda ela. Como sempre houve.

Mas a Criação de um Tribunal Constitucional entrando no debate – ou a ele retornando – não deixa de ser uma luz no fim de longérrimo túnel.

Coisa que vai sendo sedimentada não só por anônimos.

Empresa de demolição
Juca Ferreira, ex-Ministro da Cultura, disse que a atuação do governo do interino tornado presidente é típica de uma “empresa de demolição”.

Para tanto não se descure o desmedido apoio da gloriosa atuação de Moro e Procuradores da República a ele vinculados.


E la nave va I
Mais uma da semanal desesperada, aliada de interesses variados, nada sérios. Basta seguir os passos do denunciante no Youtube (incluindo um áudio do dia 13 de fevereiro último) para perceber que não só as contradições levadas à matéria inocentam o acusado, como analisa o GGN.

No vídeo o denunciante anuncia a matéria da revista referindo-se, em mais de uma vez, a militares de alto coturno. Em nenhum instante outra referência que não seja aos militares.

Vão-se acentuando as certezas de que não dispõem de provas contra o ex-presidente Lula e constroem a ponte para condená-lo na base de uma nova espécie de domínio do fato: aquela em que suspeitos dizem e se contradizem mas falam dele como expressor de verdade iluminada por dogma de fé.

E la nave va. É o que dá liderar pesquisas para 2018. 

                 

E la nave va II
Para nossa opinião – neste país onde se desconhece os limites entre a verdade e a mentira, onde alguns integrantes do Ministério Público e da Magistratura cumprem não estabelecem os limites entre a função e a opinião política – com o grotesco em que vão ficando as acusações contra Lula em Curitiba – onde até a testemunhas arroladas pela acusação o inocentam – a matéria da semanal alimentará o imaginário para legitimar (na opinião pública) uma condenação de Lula com base em nada.

Falsidade ideológica
O indicado pelo interino tornado presidente para o STF vem sendo acusado de fraudar informação em seu currículo, onde apareceria como pós-doutor sem o ser.

Bobagem dessa gente invejosa com o sucesso do rapaz! Afinal, diante da gravidade moral embutida em sua indicação (natural ao ambiente e cultura das instituições na contemporaneidade) não passa de insignificância.

Não vem ao caso! 

Até Luislinda
Que anuncia no currículo prêmio da ONU que a ONU desmente, porque nem mesmo existe.

Na esteira de outro prócer, José Serra.

Tudo observado pelo GGN, que trouxe o alertado pela Folha 

Comparando
Na falta de homens grandiosos em nacionalismo e à luz do que vem sendo posto em prática, aceleradamente, pelo interino tornado presidente, não custaria rever as similitudes entre os golpes de 1964 e 2016.

Ler “Aos trancos e barrancos – Como o Brasil Deu no que Deu” (Editora Guanabara, 1985), de Darcy Ribeiro, será bom começo.

Temor I
Suspeita de possível delação de Sérgio Cabral envolver togados. Do STF e do STJ. Aventa Maurício Dias, na Carta Capital.

Por tal razão esta coluna vaticina: estarão soltos ele (Cabral) e a mulher a qualquer instante.

Temor II
Caminho semelhante para Eduardo Cunha. Que insiste em querer respostas do interino tornado presidente, blindado por Moro.

O que está a exigir uma saída definitiva.

Não se diga que não o é. Os sinais levados a público externo mostram o estrago que o será para o público interno – leia-se governo do interino tornado presidente e quejandos outros.

Soltar Eduardo Cunha é única solução para evitar a entrega – com detalhes – do ‘chefe maior’, beneficiário e comandante das famosas “emendas jabuti”.

Em torno disso fervilham os corredores do STF. E o cafezinho de Suas Excelências. 

A la carte
À escolha. Sentenças há quando envolvidos o PT e/ou Lula e outras para os augustos guardiões da moralidade pátria.

Outra não pode ser a jocosa crítica dos dois pesos e duas medidas, expressa em razão do entendimento à nomeação de Moreira Franco.

Em que pese – como já escrevemos: errado estava Gilmar Mendes (e conivente o STF) e não Celso de Mello. 

Carlos Veloso
Nada a comentar diante da nomeação de um ex-ministro do STF para o Ministério da Justiça.

O que causa espécie é a informação de que teria sido uma sugestão/recomendação de Aécio Neves.

E ter sido Veloso um dos pareceristas pela legitimidade da construção daquele famoso aeroporto na fazenda de “titio Tolentino” onde o estado de Minas Gerais torrou a bagatela de R$ 14 milhões.  
    
Nenhuma ilegalidade. Mas, moralmente...

Havíamos escrito o dito acima no imediato da informação.

Neste fim de semana o ex-ministro (responsável por conceder habeas corpus a Maluf e ao filho, quando presos, e trocar efusivo aperto de mão com o advogado dos indiciados) recusou a indicação.

Não nos vem ao caso os motivos alegados por Veloso. Pesa-nos, sobremodo, aqueles de ordem moral. 

O que assusta e ensina
Nessas pesquisas para 2018 vão surgindo duas coisas: uma que não surpreende; outra, surpreendente.

Não surpreende Lula capitaneando. Até porque não lhe falta mídia – se não bastasse ter sido presidente com reconhecível índice de aprovação – e a perseguição por que passa (levando-o à vítima, no entender do observador diante de tanta denúncia e nada ter sido provado até agora).

No entanto – em que pese haver saído do armário a turma, inebriada no aroma de 1964 – uma candidatura escancaradamente reacionária estar no imaginário dos entrevistados é sinal preocupante.

Não porque tal não devesse ocorrer (a candidatura), mas em razão das razões que a alimentam, contrárias – em muitos pontos de vista – aos anseios da cidadania. 

Mais sinais
O interino tornado presidente – nenhuma novidade – foi ‘olheiro’ do consulado dos EUA em meados dos anos 2000, denunciou – e provou – Snowden.
Agora falam de uma Érica, ou Érika assessora da Embaixada Americana.
A se confirmar, tudo em casa. Nós é que estamos ferrados. 

Cultura
A edição de uma das três etapas do Festival de Teatro do Interior da Bahia (apresentação da Brasken e Ministério da Cultura) ocorreu em Itabuna, entre 15 e 18 de fevereiro, fase para seleção de espetáculos à premiação em Salvador. Outras duas, em março, em Juazeiro e Feira de Santana.

Um público razoável – média em torno de um terço da capacidade do Adonias Filho – assistiu a quatro espetáculos de grupos oriundos de Serra Grande, Vitória da Conquista, Ibotirama e Jequié.

Punge-nos observar que há um vazio na percepção do público itabunense. Afinal, espaço facilmente preenchível (em torno de 500 lugares) não sê-lo em população que supera duas centenas de milhares, onde centrado um significativo eixo de equipamentos culturais (Academias de letras, universidades, jornais, rádios, televisão, referência bibliográfica oriunda de autores nativos – famosos alguns – ou adotados etc.) leva o observador s estranhar a pouca afluência aos espetáculos.

Mormente quando o clamor – por todos os caminhos, do Buraco da Jia a Avenida Cinquentenário – gira em torno da conclusão de um teatro de maior porte e de um centro de convenções.

Esperamos a retomada de ocupação dos espaços culturais, dispensados nos últimos anos por falta de políticas públicas locais.

Até para justificar a insistente campanha pela construção dos aludidos centro e teatro. Sob pena de se tornarem aqueles apenas equipamentos para valorização imobiliária no seu entorno.

Por fim – o que pode ser agravante ao dito acima – registre-se que não se pode atribuir à iniciativa local o evento. Ou, talvez, seria uma reação. 

Grosseria

Ouça o leitor, se tiver paciência. Em tendo-a (a paciência), perdoe-nos... 

                     

domingo, 12 de fevereiro de 2017

Sob o domínio da mesquinhez



Dos mais pungentes contos da Literatura pátria “Os Ciganos”, de Sabóia Ribeiro (da obra Rincões dos Frutos de Ouro – contos regionais da Bahia, de 1928, reeditado pela Editus em 2005). A comovente conclusão não deixa de transitar por entre as relações humanas em dimensão de poder em nível de província, ali representado pelos interesses pessoais de um delegado, e as agruras e sofrimentos deste ou daquele que se vê a tal circunstância submetido.
No conto um cigano causara prejuízo em negócio realizado e o bando a que pertence somente pode novamente entrar no povoado, tempos depois, caso não trouxesse aquele, sob pena de todos serem presos, o que é aceito pelo chefe dos zíngaros.
Em meio às agruras por que passam seus integrantes uma em particular comove a localidade: uma criancinha, de primeiros meses, que vai morrendo aos poucos sem que qualquer das iniciativas para salvá-la, inclusive médicas, o consiga.
Registra Sabóia o drama vivido por todos (ciganos e população) em torno do infante: 
Era um bebê languento, pobre ente mirrado, costelas de fora, pele seca, e pregueada, em cujo rosto avultavam, de cada lado da boca, como dois parêntesis, duas fortes rugas cavadas... O infante quase não dava acordo de si, langue e flácido, frio, com alternativas de um pranto choramingado, sentido. 
Depois de alguns dias, era, já, em romaria, que a gente do povoado, mulheres sobretudo, acorria à barraca, onde definhava o mísero. E lá estava ele, nos maternos braços, cada vez mais entanguido, mais consunto e mumífeito, esgargalhado, imóvel, menos os olhinhos, muito acesos, movendo-se como procurando compreender algo, hipotérmico. E foi numa agonia surda, imperceptível, sem convulsão, sem trejeito de face, sequer, que ele, enfim, se extinguira.
A própria mãe não o sentiu, dando com o pequenino frio, bem morto, no aconchego do colo.
E todos foram sepultá-lo, viventes de uma agonia que os atingira e levava-os à solidariedade capaz de demonstrar a razão por que da existência humana arvorar-se superior.
No trajeto, escondido num capão de mato, o cigano foi reconhecido e contra ele o delegado deu ordem de prisão, depois de identificá-lo. 

Só restou ao “acobardado e trêmulo” articular: 


“– Sou, inhor sim, patrão. Prender pode, inhor sim, isto pode – mas deixe ver primeiro o anjinho que morreu... sou o pai dele...”.

Nenhum instante de uma existência pode ser medido em sofrimento como aquele em que se pranteia um amigo, um parente. E não é algo que se esvaia com a dolorosa separação com o sepultar. Tudo permanece por dias, meses, quantos mais entre si viveram o que se foi e os que ficam.

A sensibilidade humana sempre cobrou respeito para com tais instantes. A civilização tratou de desenvolver a cultura de enterrar seus mortos e de respeitá-los enquanto tal. Até como um direito inalienável, universal. Religiões mesmo atribuíram o luto como uma forma de lembrar aos demais a dor por que o que o veste passa.

Tudo vem-nos à baila diante do que lemos: com mandado expedido no dia da cerimônia de missa pelo 7º dia de falecimento de Marisa Letícia – no qual consta até o nome da falecida – audiência designada para ouvir Lula no próximo dia 15. Mantida, apesar de requerimento da defesa por adiamento amparada nos fatos recentes.


Entre o poder do delegado provinciano e o de um juiz que tem lado tudo fica explicado. Deitados sob a mesma frondosa árvore da mesquinhez humana debocham do semelhante. Esquecidos – se em algum tempo o tiveram – dos sentimentos que marcam o homem como expressão da Humanidade.

Raposa no galinheiro
Reforma da previdência será relatada pela previdência privada. Outra não poderia ser uma manchete diante do fato de o deputado Arthur Maia (PPS-BA) haver sido o ‘escolhido’ para relatar a reforma da previdência.

Tudo porque o dito cujo apenas recebeu 300 mil para sua campanha, oriundos do Bradesco Vida e Previdência. E outras gorjetas vieram do Itaú (R$ 100 mil), Safra (R$ 30 mil) e Santander (R$ 100 mil).
Não custa lembrar que Maia é sobrinho de Nilo Coelho, o Nilo Boi, singular exemplo de 'servir ao povo'.

Nada escapará
Quase uma centena de entidades da sociedade organizada, inclusive de órgãos públicos, alertam para os graves retrocessos embutidos na MP 759/2016, que alcançará campo e cidade, violando princípios e fundamentos de políticas urbanas e sociais, levada ao Congresso sem qualquer discussão com as entidades e organizações sociais. 

Da política urbana à Amazônia, das conquistas de décadas, tudo de roldão será levado.
A grita não levará a nada – infelizmente – com o Congresso atual e os interesses em jogo, representados por eles.

O retorno

Mal instalado o governo do interino tornado presidente o sonho da classe dominante – que se diz elite (“Branca”, como o afirma Cláudio Lembo) – caminha para o gáudio de ver a escravidão mais próxima. 

Afinal – como registra O Globo – 500 mil já retornaram ao Bolsa Família.

É o retorno à pobreza e à miséria.

Na falta de filé osso é caviar
De Cláudio Humberto sobre a CEF comemorando 11,4% de aumento nos negócios de penhor:

“Não foram considerados os custos afetivos, a angústia e a dor, muito menos as lágrimas das pessoas que recorrem à penhora de bens para enfrentar a crise, pagar contas, dívidas, e sobreviver.”

Sem adentrar no mérito do que pensa Cláudio Humberto – o que aí está passa por seu “sonho” de consumo – o que diz sobre a “comemoração” da CEF traduz a mais absoluta razão.


Na falta de filé – os depósitos na poupança estão minguando a cada mês – osso é caviar.

Gilmar x Moro e vice versa
Um passa a ser contra as prisões preventivas/provisórias por tempo indeterminado; outro, mantem-se em razão delas. Inclusive como forma de obter delações.

Anulada
Quanto custará ao Brasil a irresponsável falência da Panair – anulada judicialmente – promovida pela truculência militar no imediato do golpe.

Tal como, no futuro, a quebradeira – articulada – da indústria de construção civil nacional.

Afinal, eis os dados mais recentes, noticiados na imprensa:

 "Braço de construção da Odebrecht encolhe pela metade com a Lava Jato. Empresa demite mais de 50% dos funcionários e receita tem queda de 57% em relação a 2014". 

Medrou
A iniciativa de proibir gravações em audiência – o que vinha acontecendo – é primeiro passo para compreender que o juiz Sérgio Moro medra diante de fatos concretos. 

Afinal, acompanhar uma audiência presidida por Sua Excelência é oportunidade de confrontar seus saberes jurídico-processuais com a realidade. 

Para nós – observador de província – é medíocre e limitado. Dirceu, Eduardo Cunha, Marcelo Odebrecht o puseram no bolso e não entraram no seu jogo.

Advogados já o acusaram ao vivo e em cores.

No imediato de uma audiência com Lula teme ser flagrado enrolado pelo torneiro mecânico.


Acinte
Quando Dias Tóffoli foi indicado para ocupar vaga no STF foi um escândalo. A de Alexandre de Morais é entendida como um acinte ao mundo jurídico e um escárnio para com a nação.

Nenhum dos adjetivos que traduzem um “notável saber jurídico” será aplicado ao indigitado indicado pelo interino tornado presidente.

Nada contra a exercer a advocacia em defesa de empresas que lavam dinheiro para o PCC ou de Eduardo Cunha. O exercício profissional é opção do próprio profissional. No entanto, moralmente não o habilita a uma vaga no STF.

Tampouco o fato de plagiar autor estrangeiro, sem se dignar citá-lo. Coisa comum até na era do ctrl-C + ctrl-V.

O mais medíocre – caso consumada a indicação – chegará ao STF para mostrar que este Brasil não vale mais nada como nação e tornou-se um coio de uma quadrilha.

A verdade nua
“Moraes tem todos os predicados para compor o STF” – afirmou o ministro Gilmar Mendes. 

Desde quando Mendes está lá fazendo o que faz e nada lhe acontece, tem toda a razão.

Por outro lado, pelo nível do pensamento jurídico que norteia as cortes jurisdicionais do país Moraes é apenas mais um.

Por fim, o país vive o que sonhava a sua classe dominante. Resta concluir o aparelhamento. 

Premiando o atraso
Por elegância citamos a ação verbal premiar em vez de conluiar. Afinal, em meio a tantos criminosos que certamente sairão beneficiados com a indicação tudo não passa de mais uma ação criminosa travestida de exercício de direito.

Para o governo do interino tornado presidente a indicação de Alexandre de Moraes para o STF define sua linha de ação: nada de intermediários. 

Eis o nível
O estágio de degeneração institucional no Brasil chegou ao ponto de – considerando a omissão de inúmeras organizações da sociedade civil – termos de reconhecer razão a Eduardo Cunha. Afinal, está certo em suas colocações em artigo publicado na Folha, onde “pede respeito à Constituição”.

Mas, este é o quadro: considerando a comprovação de crimes praticados por Eduardo Cunha está cabendo a ele – criminoso – cobrar de público o cumprimento da lei.

Coisa que o STF anda escolhendo como e quando fazer.

Tudo dominado!
O acordão de que falava – e traçava – Machado com Romero Jucá, em março do ano passado, vai se consumando. O traçado envolve o PSDB, o DEM, o PSB e o PMDB no que diz respeito à Lava Jato, em que pese a gloriosa PGR de Janot ver somente o PT como interessado (Patrícia Faermann, no GGN).

O que está nos restando
Espernear, por certo. Mas, melhor que se acomodar. A ironia – espernear, por certo – porque não souberam exercitar o poder quando o comandaram, por não compreender, em profundidade, o que representa a histórica aliança dos poderosos diante de interesses alcançados/reduzidos na sanha do “tudo para mim”.

Sempre, no plano do que escrevemos, nos pautamos na opinião. Como tal, até mesmo concordâncias podem – e são – alcançadas pelos desvios daqueles sobre os quais residem nossas críticas.

A propósito, os deputados federais Carlos Zarattini e Wadih Damous levantam questionamento, por representação, contra delegados da Polícia Federal que ultrapassaram os limites da funcionalidade.

Para um governo que indica Alexandre para ministro do STF esperar o quê?

Esperneio, tão somente.

Ao mocambo, todos!
A tragédia vista por uma de suas facetas: a casa própria. O inadimplente ainda será multado. 

Na ironia de PHA cabe ao ‘quebrado/enforcado” pagar pela corda.

O vídeo abaixo não é somente uma aula. Traduz a realidade.

                 

domingo, 5 de fevereiro de 2017

Triste sina de ser Brasil


Nada esperar para o futuro de um país onde parcela considerável de sua gente orgasma com a tragédia alheia, avançando não mais em proporção aritmética a inefável conduta. O exemplo do andar de cima chega aos de baixo e tudo segue como se apenas houvesse ocorrido um tropeço passageiro. No entanto, a inexorabilidade contida em tudo reverte contra todos.

Que o diga a apologia aos assassinatos todos cometidos pelos marginalizados não oficiais e oficiais, clamados e aclamados em relação a uns por programas televisivos e radiofônicos – tão deletérios quanto o que noticiam, em espúrio conluio – nocivos à saúde, física e mental, sacrificando as gerações que surgem, que caminham para tornar-se as perdidas que aí estão, onde o ódio e a vingança tornam-se valores . E a não-vida, como valor, elevada aos píncaros da submissão à mesquinhez do que a propagam.

A Corregedoria do Conselho Nacional do Ministério Público instaurou Reclamação Disciplinar contra um procurador de Minas Gerais por suas postagens em relação a então moribunda Marisa Letícia. O mínimo dele expelido girou em torno de pedir que sua morte logo acontecesse.

No particular da atitude do Conselho do MPF queremos crer que nada ultrapassará – quando muito – a uma advertência e o ilustre permanecerá expelindo sua bílis nos processos que lhe cheguem, onde provavelmente ‘liquidará’ com os pequenos que não façam parte de seu sonho de consumo social.

Mas nos causa espécie – a razão de abordar tão infame assunto – o fato de que tal está a ocorrer no Brasil do terceiro milênio.

E o fato que motiva este escrever não se passa isolado na figura de um provável (muito provável!) doente mental que ultrapassou o teste psicológico que lhe tenha sido submetido – aquele conhecido psicoteste – depois de ultrapassada a fase de aprovação em avaliação escrita – onde pesa menos os valores desenvolvidos pela humanidade e mais o aprendido em ‘cursinhos preparatórios’ – e ora recebe remuneração às custas da população que paga impostos.

O que vivemos não se esvai em atitudes como a do tal senhor. Presente está em outras tantas. Como a de uma médica que vaza informações da paciente por ela acompanhada (ainda que não devesse por adianta da Ética a sua opção política ou ideológica), assim como naqueles que espoliam o país dizendo defendê-lo no plano dos interesses da nacionalidade, nos que fazem do exercício funcional trampolim midiático, que nunca alcançariam pelos méritos profissionais.

E nem mesmo seja esquecida atitudes como de alguns poucos delegados da Polícia Federal a postarem imagem de uma presidente da República para a prática de tiro ao alvo e besteiras tantas cometidas por outros ‘alguns poucos’ procuradores da República, Promotores de Justiça e mesmo Magistrados que liberam vazamentos nada importantes para um processo mas visando ferir a imagem pessoal das pessoas que pretendem atingir.

Em meio a tantas bandidagens somente a de negros, pobres e espoliados em geral são objeto da sanha por combater – a qualquer preço – as marginalidades todas que se nos acometem.

Muito triste a sina de ser Brasil, abrigando tal estirpe de inumanidade. À espera de sua triste e longa noite.

Jânio de Freitas
Depois de registrar a inutilidade das denominadas ‘delações premiadas’, ápice do que poderia ser considerado incompetência de ministério público e polícias na apuração de provas a partir de documentos apreendidos com ordem judicial, conclui, considerando as condenações morinas, que “como crime, a delação compensa!”:

“O marqueteiro João Santana e sua mulher, Mônica Moura, foram agora condenados a oito anos e quatro meses de prisão. Receberam em conta na Suíça US$ 4,5 milhões, pagamento parcial pelo trabalho na campanha de Dilma/Temer. O pagador, Zwi Skornicki, representante do estaleiro Keppel Fels, deu como origem do dinheiro um desvio no contrato, com a empresa Sete, de construção de plataformas ou sondas para a Petrobras. Participantes também do desvio, no lado da Sete, Edson Vaz Musa e João Carlos de Medeiros Ferraz.

Condenados os três por Sergio Moro. Skornicki a 15 anos e meio, cumpridos assim: entrega US$ 23,8 milhões de desvios vários, não sai de casa até o fim da semana que vem, e depois só ficará lá à noite e nos fins de semana por um ano. Vaz Musa recebeu oito anos e dez meses de prisão, transformados em permanência no doce lar durante os fins de semana por dois anos. E Medeiros Ferraz, condenado a oito anos, teve-os igualados a "serviços comunitários", só.

Quem recebeu o dinheiro, sem participar da trama, é condenado a oito anos e quatro meses. Quem operou o desvio criminoso de um excedente ilegal contra a Petrobras, e com esse dinheiro fez um pagamento também ilegal, esses são premiados: vão para casa e para as ruas.

Assim é a moral e é a justiça da prática de delações premiadas. Com ambas, dizem, o Brasil será outro. Será: quem disser que o crime não compensa fará papel de idiota.” 

De fazer inveja
Não sabemos se o registro de FHC em artigo publicado no Globo traduz ironia ou anedota. Nele afirma que "A venda de empresas a estrangeiros na bacia das almas não é o caminho mais saudável para o futuro".

Também não sabemos o que del diria o Barão de Itararé. Nem mesmo se diria!

Quem não mais tem como escutar são os bancos públicos privatizados, a Vale do Rio Doce, a Telebras, as concessionários de energia elétrica etc. etc. etc.. 

Que foram o caminho saudável para FHC em seu tempo de ‘bacia das almas’.

Por enquanto
O ministro Roberto Barroso concedeu liminar suspendendo os efeitos da 'doação' às teles de patrimônio público superior a R$ 100 bilhões, autorizada pelo Congresso na calada da noite, como sói ocorrer na atuação de gatunos.

Aquela picaretagem está suspensa. Por enquanto.

A que ponto chegamos
Não bastasse o que já afirmou Gonzaga Belluzzo em relação ao juiz Sérgio Moro – um idiot servant – há muito no magistrado que somente pode ser explicado a partir de um divã de psicanálise. Fora disso seria postura de mau caráter em relação a muitas coisas e uma patológica vocação para o exercício do poder.

Ou aquela paradoxal humildade em nível de exibicionismo global (de Globo, mesmo”).

Nosso augusto guardião deu – tanta a ousadia que lhe dão – de emitir opinião – o que acha – de indicação de um Ministro do STF para ocupar uma função.

Tão diminuto se confirma ser, que a sua burlesca postura de imaginar reconhecimento por emitir opinião antiética nos leva imaginar que não está a fazê-lo (opinar) mas a bajular. 

Afinal inferior elogiando superior lá no sertão sertanejo tem outro nome: puxa-saco.

Não insistam!
Essa insistência em colocar Aécio Neves em meio ao turbilhão oriundo das denúncias da Odebrecht cheira (ops!) a coisa de sonhar.

Afinal, como sabemos, contra ele ‘nada vem ao caso’. 

O que queremos  dirão eles  é outra mina. No momento apenas parcialmente explorada/destruída.

Às avessas
Há um novo conceito no mercado: o da popularidade às avessas. Para atender aos ‘invejáveis” índices alcançados pelo interino tornado presidente, simplesmente MT nas delações da Odebrecht.

Afinal, 13% o acham melhor que Lula. 

Falando em empresários
Corruptores estão às levas por aí. É da essência da selvageria capitalista. 

Onde há dinheiro por ganhar há quem o dispute. 

Não dando para todos alguém há de ser preferido e outro preterido.

Para começar
14 mil famílias perderam o imóvel adquirido pelo sistema financeiro... e o dinheiro que já haviam pago por eles. 

Laranja madura
"Na beira da estrada está bichada ou tem marimbondo no pé" – diz o cancioneiro popular nos versos de Ataulfo Alves, imortalizada por Noite Ilustrada.

Deu no Estadão: iniciativa do sistema bancário/financeiro de instalar uma ‘força tarefa’ para salvar empresas/empreiteiras. Uma demonstração da gravidade da situação. 

Não havendo uma saída imediata não tardará a crise chegar de sola nos bancos.

Inadimplência não soa bem nas gerências e diretorias dos bancos. 

Quando é casa própria, toma-se; empreiteira, ajuda-se. Para não explodir tudo.

Pobre explodindo é uma coisa, grande is very important.

Inacreditável!
Sabemos que a política expansionista de Israel sob comando sionista não encontra apoio dos judeus em plenitude com a Torá.

Mas, nunca imaginaríamos o encontro registrado no vídeo abaixo.


Ainda que tomemos como uma encenação haveremos de reconhecer, em dimensão cinematográfica: excelente argumento, excelente diretor e excelentes atores.