domingo, 21 de agosto de 2016

Antes que as Olimpíadas terminem

Ninguém divulgou
No correr de uma semana acelerando os Jogos da Rio 2016 um fato passou ao largo, amparado na conveniência em torno de sua omissão.

Quando lançada – com o espalhafato exigido pela mídia e autoridades que deixaram de exercer função para fazer política – a Operação Triplo X vinculava (e condenava antecipadamente) o ex-presidente Lula à condição de partícipe de negócios escabrosos, onde beneficiado seria com um apartamento no edifício Solaris, no Guarujá, que resultaria de favorecimento da OAS.

Não houve desmentido que bastasse, documento que negasse. Os jornais, revistas e noticiários televisivos tinham em mãos a ‘prova’ de que precisavam para manter a execração pública do ex-presidente. 

Faltava a comprovação, a cargo da apuração que faria a Polícia Federal, que tudo realizara com autorização judicial de Sérgio Moro, dentro da Lava Jato, de onde saíam as determinações para busca e apreensão, quebra de sigilo telefônico e de dados, bancário e fiscal.

A devassa tudo buscou. Mormente diante do fato que lhe parecia concreto: Lula beneficiário da corrupção na Petrobras.

Quando por lá apareceu uma tal Mossack – operadora de picaretagens – e a possibilidade concreta de os Marinho (da Globo) envolvidos com um paraíso na costa brasileira em nome dela a coisa arrefeceu na mídia. Mas Lula já estava condenado.

Oito meses depois – no último dia 18 – saiu o relatório da Polícia Federal. Oito são os indiciados.

Inocentado Lula e familiares.

Da imprensa que o condenara nenhuma palavra.

Celebridade
Virou piada não tem jeito, leciona a sabedoria popular. Moro caiu nas graças de José Simão, para quem o juiz da Lava Jato “Contratou Bolt para pegar Lula e Rubinho para pegar a mulher de Cunha”.

E dizem as colunas sociais que Cláudia Cruz nunca deixou de aparecer com Eduardo Cunha em restaurantes. 

Última esperança
Certamente não acreditamos no retorno de Dilma. Nosso pessimista entendimento se ampara num fato singular: parcela considerável dos que votarão no Senado nem mesmo receberam um mísero voto em eleição para tanto, já que suplentes. 

Envergonhados – os poucos que a tenham – votarão para manter privilégios e mais algum para o bolso. São trilhões de doares em jogo. Só no pré-sal.

Só restará a Dilma o STF. O mesmo que nada. 

Um deles
Uma crítica ao indevido uso de estacionamento destinado a idoso nos remeteu a um detalhe: um senador – pelas circunstância de ser suplente – quando candidato distrital recebeu a retumbante votação de SEIS expressivos votos.

Trata-se do distrital Hélio José, hoje no PMDB, depois de passar pelo PSD e ser suplente de Rollemberg (PSB) a figura ficou famosa por afirmar que se indicasse uma melancia seria acatado pelo interino.

Hoje vota abertamente contra o retorno de Dilma. 

Olímpicas
Não pode ser considerado como satisfatório o evento Olimpíadas para o interino. Vaiado na estréia, fugindo do encerramento. Nenhum chefe de estado de magnitude presente.

O sucesso da Rio 2016 foi um fracasso para o interino Temer. (Perdoe-nos o leitor por citá-lo. Mas, palavrão é coisa nossa).

Fugirá o interino de cumprir a missão protocolar de passar ao Japão a “chave’ olímpica que desembocará nos jogos de 2020.


domingo, 14 de agosto de 2016

Neste Brasil olímpico

Ninguém acena
Macambúzios imagem e semblante do interino. A assunção do poder – querida e autopromovida – não lhe dá os louros da conquista. Assim demonstra-o sua imagem.

Não espera uma carta como o Coronel de Gabriel Garcia Márquez (Ninguém Escreve ao Coronel). Mas, certamente, um aceno de governante estrangeiro ao seu governo. 

Aceno que lhe propiciaria uma propaganda de que reconhecido além de golpista. 

Vive a crueldade de – servindo a quem serve – nem mesmo dele encontrar o aceno de que tanto carece.

Tudo escancarado ficou na humilhante presença na abertura dos Jogos do Rio de Janeiro, onde nem citado foi na condição exercida. Como observou a TV suíça um fato inédito: a não citação do nome do governante constitui-se circunstância inédita em 120 anos de existência dos Jogos modernos.

E, didática, mais acusou a TV suíça: as vaias com que agraciado eram esperadas e sua imagem não foi exibida no telão enquanto ensaiou fala (para que não fosse imediatamente reconhecido) o que não impediu – ainda que sua voz soasse por ‘apenas alguns segundos’ – à estrepitosa vaia que correu mundo.

Decididamente – essa a mágoa que o faz sofrer – ninguém acena ao interino.

Só critica
Não bastassem os revezes externos à sua imagem nem mesmo é dispensado de comentários ácidos – e edificantes – como o da Al Jazeera.

                     

Tudo traçado
Neste espaço nunca nos demos por convencido de que o golpe não se materializaria no Senado. Tanto o dinheiro em jogo – trilhões do pré-sal e mais – nos assegurava a certeza.

A semana comprovou.

Ousamos outra afirmação: Eduardo Cunha não será cassado.

Contradições
Em Itabuna – repetindo manifestações em outros lugares – magistrados e advogados trabalhistas criticam o desmonte da Justiça do Trabalho.

Em meio aos manifestantes inúmeros que defendem o governo interino.

OAB lança “A Saúde na UTI”, movimento por mais recursos para a Saúde/SUS.

A mesma OAB e líderes que são contra a CPMF.

Recado
“Acima de tudo, a delação tem que ser um ato espontâneo. Não cabe prender uma pessoa para fragilizá-la para obter a delação. A colaboração, na busca da verdade real, deve ser espontânea, uma colaboração daquele que cometeu um crime e se arrependeu dele”.

Do ministro do STF, Marco Aurélio

Blindagem
Janot estaria ampliando as investigações a partir da Lava Jato. Alcançando PMDB e PP. 

PSDB permanece de fora, ainda que Nestor Cerveró tenha dito com todas as letras haver o partido se beneficiado de uma propina de US$ 100 milhões desviados da Petrobras na compra de uma petrolífera argentina no governo FHC.

Mais que oportuna a charge de Pataxó.

vazou, moro.jpg

Pedindo
FHC – denuncia Maurício Dias, na Carta Capital – teria pedido ao chefe do clã, Emílio Odebrecht, por Serra e Aécio ficarem de fora da delação premiada anunciada.

Comovente e sincera
O olhar triste da menina vencedora no judô traduz o que sofreu nesses anos todos.

Inclusive por ser vítima de preconceito e discriminação. 

De uma outra medalha é vencedora: respeito e sinceridade. Não esqueceu de quem contribuiu para a fama conquistada.

                     

domingo, 7 de agosto de 2016

Tempos de ontem e de hoje

Jogos Olímpicos em três tempos

Tempo I

Superação 
A realização dos Jogos Olímpicos no Brasil deixou claro – assim que acesa a pira – que realizamos, sim, aquilo que parcela da sociedade negava ser possível.

Simbolicamente – em nível de superação o momento singular de tudo possa estar em quem acendeu a pira: Vanderlei. Sim, caro leitor, aquele Vanderlei Cordeiro de Lima que foi vítima de um maluco na Maratona nos Jogos de Atenas. Aquele que tendia a consagrar-se como medalhista de ouro na mais clássica das provas olímpicas.

Um brasileiro que ali superava a circunstância de ser brasileiro, o estigmatizado de sempre, desde que não tenha nascido em  berço de ouro. 

Apenas um dos sete filhos de lavradores do interior paranaense. Aprendiz de roçariano, como milhões de tantos outros brasileiros. 

Único patrício (e latinoamericano) agraciado com a Medalha Pierre de Coubertain.

Pois é, o medalha de bronze em Atenas – porque lhe surrupiaram a de ouro – acendeu o Fogo Olímpico. Assistido por bilhões planeta afora.

Certamente se não fosse no Brasil a realização dos Jogos não teríamos tido – e o mundo – a oportunidade de lembrar de um que sobreviveu às dificuldades.

Começando por aquela certamente  maior que correr a Maratona: ser pobre e brasileiro na terra onde uma elite insiste em ser detentora dos méritos de todos.

Tempo II

Onde tudo começou
O sonho impossível – nem mesmo imaginado – coube-o a quem superou o existir de nordestino. Ainda que vocacionado a ser o que tantos outros conterrâneos se tornaram: pau-de-arara servindo a São Paulo.

A ele o mérito de haver se empenhado para levar o Brasil a sediar os Jogos. Com um detalhe: vencendo, inclusive, os Estados Unidos. Ainda que seu presidente Obama lá estivesse fazendo o seu lobby. 

Que perdeu para o de Lula. 

                          

Tempo III

Constrangido
Todo o mérito decorrente de o Brasil sediar os Jogos Olímpicos se deve a Lula.
Caberá ao interino Michel Temer ficar com a medalha do constrangimento. 

Isolado, sua imagem traduzia o desconforto, nas poucas vezes em que exibido.

Antes mesmo de ser vaiado.


Constrangimento
O protocolo da cerimônia certamente foi quebrado. A realidade das ruas se impôs. O Comitê Olímpico Internacional compreendeu. E o interino nem foi citado nominalmente – fosse-o como cidadão ou como presidente – nas falas de Nuzman 
e de Thomas Bach.

Sua imagem nem mesmo apareceu no telão. Daí por que as vaias soaram 
somente quando percebido que falava o interino.

Um presidente sem nome... para bilhões de telespectadores.

Palmas
As palmas para o interino só a Globo (de Galvão) ouviu em meio à monumental 
vaia.

Arremesso 
Bastante simbólica a presença de Meirelles próximo ao interino na abertura dos Jogos do Rio.

É técnico da nova competição olímpico-brasileira: arremesso de direitos sociais.

                           Olimpíada: a muamba do Fernando Meirelles

domingo, 31 de julho de 2016

E la nave va

Geopolítica
O jogo turco – em andamento – sinaliza o andamento de reformulações das políticas estadunidenses em relação ao avanço chinês.

O Brasil – em nível sulamericano – refizera sua geopolítica aproximando-se da China e Rússia.

O golpe na Turquia escancara o conflito geopolítico em que os Estados Unidos se veem perdendo espaço para a China e a Rússia.

O golpe no Brasil cada vez tem tudo a ver com os Estados Unidos e sua geopolítica.

O que está em jogo
Ao leitor para ofertar a interpretação que queira. No artigo de Emiliano José e Ariadne Barreto, na Caros Amigos, que levamos ao leitor, apenas um contraponto ao mundo cor-de-rosa pintado pela mídia em defesa do atual estado de coisas. E de como tudo é construído/legitimado.

Em jogo o claudicante projeto de país e de uma Democracia que não consegue sedimentar instituições. Todas elas historicamente vivendo os mesmo vícios de origem. Plantados na monarquia absoluta que aportou no Brasil Colônia e que insistem em fazê-lo ‘colônia’ contemporânea de interesses tais quais os de antanho. Apenas em novos personagens.

Turquia x Brasil
Golpismo lá e cá. Por lá, prisões; por cá, aplausos, inclusive com o beneplácito do STF em omitir-se diante das violações à ordem jurídica, já que anda entendendo que o processo é ‘político’.

Caso o Brasil tivesse agido como a Turquia – punindo (não nos referimos aos exageros e às vinditas) – depois de 1954 não teríamos tido 1961 e 1964. Muito menos 2016. 

Alcântara, de novo!
José Serra abre as tratativas para a retomada das negociações em torno da ocupação da base de lançamentos de Alcântara-MA pelos Estados Unidos, denuncia Tereza Cruvinel 
Tucano4.jpg
Nada de surpresa, caro leitor. Faz parte do que está em andamento, planejado e bem planejado. 

Aos propósitos, a charge perfeita.

Pode ser, pode ser!
Às vezes coisas nos acometem o juízo. Como o de levantar a hipótese – para nós pouco provável – de reversão do impeachment. Temos que a ‘grana grossa’ em jogo por si só é capaz de definir o voto dos indecisos.

No entanto, uma outra suposição é cabível: político quer perpetuar-se no mandato/poder. 

Aí entra o ‘apoio’ de Temer e o desastre em andamento.

Talvez isso mude mais as intenções que a legalidade que a decisão exige.


Pelo tamanho do bico
A anunciada redução dos políticos relacionados na lista da Odebrecht – antes quase três centenas, caindo para, no máximo cem – leva a uma conclusão: conforme o tamanho do bico afastado fica de integrar a delação.

Só bicos pequenos. Preferencialmente sem bico. Tucano, por exemplo, só em caso de exceção.

Insegurança judiciária
A interposição de recurso junto a ONU por Lula escancara a quantas anda o STF no quesito omissão. É o primeiro brasileiro a fazê-lo. Deixou de acreditar na imparcialidade do Judiciário brasileiro.

Não deixa de ser uma medida excepcional, mas em tal circunstância (a excepcionalidade) são necessárias atitudes igualmente excepcionais, para enveredarmos por frase do rebelde britânico Guy Fawkes.

Afinal, fingir que Sérgio Moro e a 'sua' Lava Jato pautados estão na neutralidade é alimentar a não percepção de a quem ambos servem.

A reação de Lula deixa claro, pelo menos, uma coisa: cansou de defender aquele ‘purismo’ na linha Dilma/Mercadante/Cardozo em defesa de um republicanismo no traseiro alheio.

Não afirmemos que Moro se sentirá ‘desconfortável’ diante da denúncia internacional de Lula sobre suas práticas. Sendo 'homem do momento' não lhe faltará mídia – que o dispensa de responder por seus crimes lesa-pátria – e certamente continuará na freudiana postura de que tem Deus a ilustrá-lo.

Mas, se queria fama internacional, chegou...


Juízes… não mais os há!
A reação de associações de magistrados demonstra o nível da ‘subjetividade’ que norteia “Suas Excelências”.

Não vimos igual reação quando Lula foi ‘constrangido/sequestrado’ em São Paulo e só não embarcado para Curitiba porque o Coronel da Aeronáutica, comandante em Congonhas, deu a testa.

A reação cheira a coisa de feitor: apanhe, mas não grite; se não o chicote canta mais. Apanhe caladinho, se não a chibata será multiplicada.

Ninguém gritou contra as violações cometidas, tampouco quando o ‘superior’ Gilmar Mendes antecipa decisões e faz pronunciamentos político-partidários.

O detalhe fica numa questão: quem o mundo conhece, Lula ou os juízes que subscreveram o protesto? Pelos destaques na imprensa internacional sobre a ação de Lula podemos sabê-lo. clique


Freud explica
No fundo “Suas Excelências” ainda não compreenderam que seus defeitos não podem ser escondidos. 

Talvez reflexo daquela declaração de Lula nos idos do primeiro mandato, de que precisávamos abrir a caixa preta do Judiciário.

Se Freud não explicar, o matuto explica: vingança.

Temer por quê?
Se nada há de errado na atuação de alguns dos senhores juízes errado está Lula. Não custaria dar tempo ao tempo para provar. Afinal, quem não deve não teme. Ou como dizia vó Tormeza: não há bem que sempre dure nem mal que não se acabe!

Imparcialidade – que deve ser a tônica de quem julga – poderia ser comprovada. Caso não houvesse o corporativismo.

O rei nu
Talvez a reação de colegas abrigados na AMB – posta sob sofismas – seja o viés de confissão de que Sérgio Moro corre riscos.

Como medida preventiva, cautelar, a de atacar o acusador para desviar a atenção do cerne da questão.

Lula está certo I
Sem entrar no mérito da pretensão de Lula, diante da reação de alguns juízes, só resta a confirmação de que Lula está certo.

Muitos dos que gostam de holofotes (da Globo e quejandos) começam a temer os internacionais. Afinal, passam a espelho na vitrine externa com seu singular modo de conduzir alguns julgamentos. E nela (a vitrine) não está somente o Judiciário, mas também quem lhe dá vezo na prática de ilicitudes.

A iniciativa de Lula não é confissão, mas denúncia que aqui não se apura.

Afinal, denúncia é que não falta. Falta mesmo é apuração. O STF e o CNJ que o digam.

Lula está certo II
Certamente não seria hipocrisia corporativista da AMB e quejandos se houvesse(m) emitido nota por Moro Moro receber prêmios televisivos, tipo os dos MArinho. Ou alimentando o ativismo reacionário ao conceder entrevista a uma Veja da vida. E o que dizer de ir à Lide de João Dória/PSDB? 
Provavelmente acharão normal a divulgação de gravações da presidenta e dos advogados do Lula (inclusive de telefone do escritório profissional grampeado), de dona Marisa. 
Muito normal será Sérgio Moro dizer que “não vem ao caso” quando em delações é citado Aécio Neves. Ou vazar seletivamente contra o PT, a Dilma ou o Lula. 
Muitíssimo normal, normalíssimo, conduzir/sequestrar Lula, fato não consumado graças ao Coronel da Aeronáutica comandante da Polícia de Congonhas. 
E nem se fale dos presos mantidos até que confessem o que o 'deus' Moro deseja.
Dirão, certamente, que estamos na plenitude de um Estado de Direito porque delegados fazem da foto da presidente Dilma alvo de tiros. Ou quanto postam nas redes campanhas político-partidárias em defesa do do PSDB.
Muito belo e sublime que Procurador da República use o púlpito de sua igreja para pregar contra a Chefe do país, posando de bom menino.
Não tivemos nenhum conhecimento de uma mísera linha de repúdio.
Lula está certo III
Poderiam os senhores da AMB e quejandos informar a que órgãos do país poderia Lula recorrer que já não o tivesse feito? Que resultados obteve?
Caso outras sejam as respostas que não as pautadas na verdade retro exposta Lula estaria errado.

Mas, não é o caso.

Explicar, bem que podiam!
Grande favor fariam os senhores juízes se explicassem – com a publicidade devida – as pretensões salariais/remuneratórias embutidas na proposta da nova Lei Orgânica da Magistratura Nacional. Como auxílios vários: educação para filhos até 24 anos, auxílio-moradia, auxílio-transporte, reembolso de despesas médico-odontológicas, licença para estudar no exterior. 

Apenas para recordar busque a indecorosa proposta 'reveladas' em Escárnio

Sabe com quem está falando?
Foi Lula criticar a atuação de integrantes do Judiciário e se tornou réu.

E querem que o Brasil seja levado a sério!

Suas Excelências não gostaram. Mas nada dizem em relação ao ministro Gilmar Mendes dando declarações abertas contra Lula, Dilma e o PT ou comparecendo a lançamento de livros abertamente anti-Dilma ou pautando noticiário com o Bonner do JN


Muito menos quando o Moro do “não vem ao caso” – quando denúncia há contra o PSDB – comparece a evento patrocinado por candidato tucano.

Obstrução
O juiz que obstruiu a Operação Zelotes acusa Lula de obstruir investigação.

Só mesmo a ONU! 

O que salva
Todo o escrito acima exige uma ressalva: a crítica a AMB e quejandos não alcança toda a classe de magistrados. Sabemos que é a opinião de suas diretorias. Ainda que respaldadas por aqueles que lá as colocaram.

O mesmo ocrre com a OAB. O que o atual presidente expressa não é a opinião de parcela considerável de advogados que sonha trabalhar em plenitude do Estado de Direito.


Olimpíadas

Entre a autoestima de antes e o clima de velório de agora perde o Brasil. 

Estamos jogando fora uma conquista inelutável: sediar uma Olimpíada. 

Depois do sucesso da Copa do Mundo.


domingo, 24 de julho de 2016

De fraudes, de ridículo e de humorismo

Dourando
Depois de desmascarada – inclusive pelo colunismo interno, de seu ombudsman – da pesquisa Datafolha só restou o propósito: de dourar a pílula do interino.

Escreveu o ombudsman:

Bradd1.jpg“A meu ver, o jornal cometeu grave erro de avaliação. Não se preocupou em explorar os diversos pontos de vista que o material permitia, de modo a manter postura jornalística equidistante das paixões políticas. Tendo a chance de reparar o erro, encastelou-se na lógica da praxe e da suposta falta de apelo noticioso.

A reação pouco transparente, lenta e de quase desprezo às falhas e omissões apontadas maculou a imagem da Folha e de seu instituto de pesquisas. A Folha errou e persistiu no erro.”

Só faltou dourar uma fotografia para o interino. Para suprimi-lo da ironia registrada por ACM, que o chamava de 'mordomo de vampiro de filme de terror'.


Pesquisa

Aguarda-se a próxima pesquisa do Datafolha sobre o governo do interino. 

Com uma pergunta e duas opções: 

O que acha do governo Temer?

1. Ótimo 
2. Maravilhoso. 

Não será por excesso de modéstia
A imbecilidade vai perdendo a modéstia, assumindo-se como nunca antes assumira. 

Em tempos mais pretéritos realçada estava na ironia dos cronistas e humoristas – do Barão de Itararé a Stanislaw Ponte Preta, passando por Henfil, Jaguar, Aldir Blanc, Millôr Fernandes e tantos outros – que salvavam o país de embrenhar-se totalmente na alienação promovida pela mediocridade que se instalava como instituição.

De um governo interino com um Ministro da Educação aconselhado por Alexandre Frota não há muito que esperar. A não ser a sua queda.

Para essa gente a grande ‘revolução’ educacional que anunciam é o que denominam ‘escola sem partido’. Onde – de professores a alunos (as vítimas) – ficarão no canto da sala com o tradicional chapéu do castigo.

Que falta nos fazem Aparício Atorelli, Stanislaw, Henfil, Millôr Fernandes...

Não ria... que dói
Hilário que seja. Mas é o momento em que tudo se torna bolivariano – substitutivo para o ‘comunismo’ de antes – pondo as garras a alcançar até a educação escolar.

Paulo Freire refletia em torno da educação libertadora temer a liberdade, tanto o conservadorismo da sociedade e oligarquias que sustentam o poder, que a elas corresponde.

Estamos a caminho... de ter a Liberdade como inimiga!

Não será por falta de modéstia
O Brasil acaba de entrar, mais uma vez neste interinato, na seara da irresponsabilidade e do ridículo. A cargo de seu Ministro da Justiça, anunciando com todos os holofotes, uma temerária ação terrorista em andamento no Brasil às vésperas dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro.

Em nível de terrorismo, bem observou Jânio de Freitas, “o ministro Alexandre de Moraes é mais eficiente do que seus dez presos”.

Não será por falta de modéstia que não seremos reconhecidos.

A propósito
Muito a propósito disponibilizamos o link do Conversa Afiada para registrar o texto do Pravda, em português. Tudo ali. Nada sutil. 

No centro, a violência, o ministro e a idiotia tupiniquim em versão atual/interina.


Acorda, peão!
Na segunda 18, um editorial da Folha demonstrou o quão atrasada é a mentalidade do empresário brasileiro. Pelos menos nos termos em que defende. Veja o leitor o primor, em destaques:

“As esperanças de prosperidade futura do país dependem de uma agenda de modernização institucional que estimule a produtividade e reduza o custo de fazer negócios. Entre os obstáculos a serem equacionados, destaca-se a obsoleta legislação trabalhista, gestada nos longínquos anos 1940 e causadora de um anômalo e crescente contencioso entre empregados e empregadores”, sem esquecer de exigir o extermínio da “estrutura sindical oligopolizada, abrigada no Estado e financiada por contribuições obrigatórias”.

Assim, “O paternalismo enfraquece a disposição à negociação e a autonomia das partes em decidir conforme as suas preferências. Na tradição brasileira, o legislado tende a se sobrepor ao acordado em convenções coletivas. Merece apoio, portanto, a disposição manifestada pelo governo Michel Temer de encaminhar ao Congresso uma proposta de modificação das regras trabalhistas – reforma que, de acordo com o chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha, será a segunda na ordem de prioridades do Planalto, logo depois da previdenciária. Já seria progresso digno de comemoração a retomada do projeto que regulamenta a terceirização da mão de obra, conforme propósito do ministro. O texto, apresentado em 2015 na lista de prioridades do PMDB, encontra-se parado no Senado”.

O título do editorial: A próxima reforma

Bem poderia ser ‘a corda, peão!'



domingo, 17 de julho de 2016

Resenha

E por falar em golpe
Em relação ao golpe na Turquia – enfrentado pelo povo... pelo povo! – o chanceler interino José Serra proclamou aos quatro ventos: "Em relação aos acontecimentos em curso na Turquia, o governo brasileiro insta todas as partes a se absterem do recurso à violência e recorda a necessidade de pleno respeito às instituições e à ordem constitucional”.

Simplesmente para o gênio do chanceler José Serra deveriam os golpistas não usar da violência (certamente utilizar o método brasileiro), tampouco o governo ao combatê-los. Genial! 

Tudo poderia ser resolvido  dedução da coluna  num jogo de palitinhos mediado pelo Serra, o que daria a ele o Nobel da Paz.

Deixando de lado o que representa Serra no cenário da diplomacia – a declaração já o diz quão vazio – cabe lembrá-lo que no Brasil está em andamento um golpe – reconhecido internacionalmente – do qual ele se beneficia... em todos os sentidos.

De nossa parte vamos mais além: Serra pedindo às partes que se abstenham do recurso à violência pode ser aquela coisa de botar o próprio traseiro na parede.

Vá que o povo daqui resolve usar da violência para extirpar o golpe em andamento!

Caem as máscaras
Esta expressão, de senadores franceses desancando o golpe no Brasil, dimensiona, em plenitude, o conceito atual do país para os democratas mundo afora.

Está em editorial publicado no Le Monde, na quarta 13, em tradução livre: “Dilma Rousseff, vítima de uma manobra parlamentar de baixo nível”. 

Para o Le Monde caem as máscaras desde que as gravações telefônicas de Sérgio Machado “revelaram as manobras” para materializar o impeachment como meio de salvar os corruptos do PMDB e quejandos.

E foi mais além na denúncia: "Estamos preocupados com o envolvimento no golpe de Estado da grande mídia brasileira pertencentes a grandes grupos financeiros, por uma campanha extremamente violenta a favor da destituição e criminalização da esquerda. Essas mesmas mídias apoiaram o golpe de Estado Militar de 1964 a partir do qual construíram verdadeiros impérios midiáticos".

"A Democracia importa"
Também preocupado o congressista Alan Grayson, do Partido Democrata dos Estados Unidos, em pronunciamento na Câmara dos Deputados, como o registra o Opera Mundi, para o qual o governo interino, nos termos em que ascendeu, "mina a democracia".

E sentencia: "Isso precisa terminar. A Democracia importa."

Saia justa I
Não fosse o golpe instaurado uma quartelada política em plenitude não haveria dúvida de que o impeachment cairia no Senado. As alegadas provas da existência de crime foram todas desmanteladas pelo Ministério Público Federal que as analisou. Explicitamente está dito que não há justa causa para a pretensão.

No entanto não se trata de juridicidade ou respeito à lei o que tramita no Senado, mas de um típico golpe político para fazer levar ao Poder projetos não discutidos com a sociedade nem por ela acolhidos, já que o que se dá é justamente o contrário: os que defendiam o que o interinato está a fazer perderam as eleições.

Uma saia justa, porém está no palco: caso o Senado insista em aprovar o impeachment cabe questionamento ao Judiciário por tê-lo sido sem fundamento jurídico.

Sob esse aspecto o desgaste seria imenso.

Também sob saia justa o STF, caso provocado a se manifestar sobre tal absurdo. Se mantiver o impeachment se torna partícipe do golpe.

Saia justa II
Parecer MPF sobre pedalada final editadoEm outra manifestação o Procurador da República Ivan Cláudio Marx foi de uma clareza meridiana, ao falar das alterações na lei e de quem as burlou e dos que se omitiram (TCU, MPF etc.) razão por que afirma peremptoriamente: “...todos os seus praticantes devem ser responsabilizados ou nenhum o deve”.

Em palavras objetivas, dando nome aos bois: a prática antecede à edição da lei, que é de 2000, e como FHC, Lula, Michel Temer nunca foram ‘agraciados’ com a interpretação, não seria Dilma Rousseff a ser penalizada.

Por faltar base à acusação, o MPF pediu o arquivamento do inquérito que analisava.

Saia justa III
Ultrapassada a farsa que norteará o parecer do tucano Anastasia restará a análise fria das provas postas à mesa.

Dois pareceres se encontram no estuário dos fatos verdadeiros e confirmam inocência de Dilma na prática de crimes. Não se afirme que possam ter algum efeito sobre os senhores senadores tidos como menos facciosos e dotados de mínima consciência, muitos se definindo como indecisos. Ainda. 

A votação final mostrará suas verdadeiras faces.

Afinal, a conclusão do MPF de que as tais "pedaladas" não são crime (fundamento no pedido de impeachment de Dilma) afirma enfrentamento à tese da acusação de que se constituíram crime de responsabilidade e alimenta a tese de defesa. 

E, mais que isso, tudo está confirmado através do resultado da perícia das "pedaladas", encomendada pela Comissão de Impeachment.

Silêncio de claustro
Sobre o registrado acima nenhuma manifestação da imprensa. Nenhuma repercussão.

Mantêm-se o cinismo e a hipocrisia.

Requentando
Mais uma vez a imprensa requenta notícias sobre Lula. Nos últimos dias O Globo, a Folha e o Estadão – na falta de novos vazamentos – requentaram o que dispunham, velhos vazamentos da Lava jato.

Como observa RicardoAmaral, veiculado no CA de PHA, Lula, seu Instituto, e familiares já foram alvo de 9 inquéritos do MPF e da PF, de 3 proposições de ação penal, 2 fiscalizações da Receita Federal e 38 mandados de busca e apreensão.

Sem falar naquele sequestro, em 4 de março, frustrado em Congonhas pelo Coronel da Aeronáutica, no comando do aeroporto, quando pretendiam levar Lula para Curitiba, fato registrado neste espaço (Abortamento aqui).

Até agora, nada! O que remete a um elementar silogismo tupiniquim: ou Lula é inocente ou são incompetentes os que o investigam.

O crime maior de Lula – e por este não podem processá-lo e prendê-lo – é liderar a corrida presidencial para 2018.

Caso não consigam o intento Lula continuará como massa de pão: quanto mais batem mais cresce.

Boquinha
Delegados da Polícia Federal presos por achacamento a investigados no escândalo do Carf. 

CR$ 800 mil em jogo é o que apurou a Ministério Público Federal. aqui

Concurseiros I
Nossos alunos têm ouvido nosso clamor em relação aos concurseiros do serviço público. Aqueles que definimos como destituídos de informação sobre temas que deviam lhes afetar, como já registramos neste espaço (Castismo aqui Cumprindo ordens aqui O jogo aqui e A serviço aqui).

Chegam ao ápice estudando para concursos, insistindo até que em um deles seja aproveitado. Na área jurídica nem mesmo advogam para adquirir experiência.

Não bastasse a inexperiência de vida passam a imaginar-se integrantes de uma casta que supera as demais e – o que dizer? – os vis mortais. Cheios de cursos imaginam-se detentores da dialética sobre tudo.

E o que dizer em relação ao que pensam de um pobre mortal que nunca passou de torneiro mecânico como formação intelectual?

Sobre eles – os deuses deste singular Olimpo – assim se expressa o ex-Ministro da Justiça Eugênio Aragão em entrevista ao Conjur

“Nossos juízes e membros do MP são profundamente conservadores. Isso mudou muito em função do 'concurseirismo'. É o perfil do concurseiro, aquele que quer entrar em uma carreira porque quer lucrar com ela. Ele investe fortemente três anos para prestar um concurso. Na hora que passa, ele quer os frutos do seu investimento. Isso é um conservadorismo, é um toma lá, dá cá. Eles não prestam concurso pela vocação, mas pelo que a carreira pública pode oferecer. E qualquer tipo de insatisfação, por menor que seja, gera uma bronca tão grande que fica até difícil administrar essas pessoas.

Sobre a interpretação que defendemos não mais estamos só. também em torno do tema Luis Nassif abriu consideração.

A charge
Quem tem Cunha tem medo. Feliz o chargista, no preciso instante em que Eduardo Cunha se sente traído por Michel Temer na eleição da mesa da Câmara.

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Sinais nebulosos
E bota nebuloso nisso! 16,5 mil trabalhadores foram demitidos na indústria paulista em junho, quase o dobro de maio (7,5 mil).

Há quem diga – para dourar a pílula – que a retomada da atividade industrial está em andamento.

Nem o analfabeto funcional em Economia admitirá que – com o custo embutido em demissões – a indústria efetive tais gastos para contratar em dois, três ou quatro meses adiante.

O gráfico fala tudo.

          empregofiesp